
O Rio Grande do Sul abriu oficialmente a safra de oliva no Brasil. E, com rótulos gaúchos ganhando espaço nas prateleiras, surgem dúvidas na hora de escolher e apreciar o produto. Para ajudar a decifrar esse universo, o Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha deste domingo (19) entrevistou quem entende do assunto: a sommelier e expert em azeites Chania Chagas. Confira trechos da entrevista.
O que é um sommelier de azeites?
É uma pessoa tecnicamente responsável por saber explicar ao público todas as qualidades físico-químicas do azeite, as propriedades benéficas à saúde. Também sabe distinguir um bom azeite de um ruim.
O Brasil ainda é importador maciço: a nossa produção não chega nem a 1% do total que se consome. Qual é a primeira dica para quem nunca experimentou ou tem dificuldade de escolher o produto?
Primeiramente, o azeite é extraído da azeitona. A azeitona é a fruta da oliveira. Então, como estamos falando de um suco de fruta, ele deve ser consumido fresco. É muito importante o consumidor ir atrás de azeites frescos, recém-extraídos. São os azeites que vão ter maior benefício à saúde, com polifenóis, que trazem antioxidantes para o nosso corpo. Há também diferentes intensidades de azeite, dependendo da variedade da azeitona.
De que forma o consumidor pode garantir um bom acondicionamento do produto a partir do momento que leva para casa?
A vida útil do azeite vai depender muito de como ele vai ser armazenado. Um dos grandes vilões do azeite é a luz, o oxigênio e também o tempo. É por isso que as garrafas são escuras. Mas é sempre bom armazenar longe da luz, em algum armário. Longe do calor também, então nada de colocar do lado do fogão. E do oxigênio. Quando armazeno-o direitinho, abro a garrafa e terei que utilizá-la no máximo em 30, 40 dias, depois de aberto.
O que precisa prestar atenção no rótulo para que se tenha certeza daquilo que está levando para casa?
Não existe azeite excelente barato. Quando as pessoas miram somente para o preço, temos um grande problema, porque no caso do azeite de oliva, o preço está unido com a qualidade. Às vezes achamos caro, mas é um investimento que a pessoa faz, porque é um produto voltado para a saúde. É muito melhor do que qualquer outro tipo de óleo vegetal, inclusive para cozinhar.
Como você avalia a safra deste ano com relação ao preço?
Experimentei azeites espetaculares neste ano. Com o aumento do volume de produção vai haver uma redução no preço. Mas ainda assim vai ter uma diferença se compararmos com o importado. E são produtos diferentes: essa comparação nem deveria existir, sinceramente.
São importantes essas premiações que os azeites de oliva brasileiros têm recebido?
Muito importantes. Os concursos também servem para colocar a marca no mercado. No concurso de Londres, por exemplo, chegamos a avaliar 60 amostras por dia, é bastante coisa. Então, vale a pena olhar o ano, a medalha que foi ganha. O consumidor deve ir atrás desses concursos, sim.
Se precisar limpar o paladar depois de provar um azeite, como se faz?
Para limpar o paladar utilizamos, geralmente, massa verde. Podemos usar também iogurte natural, sem açúcar ou bolacha de água e sal ou água.





