
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O efeito do fechamento do Estreito de Ormuz também chegou às lavouras brasileiras "pelo ar". Em apenas uma semana, o combustível da aviação agrícola disparou, elevando custos no campo e abrindo um novo lado de pressão sobre os alimentos — que já existia pelo dos fertilizantes. Os dados são de um estudo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), divulgado nesta quinta-feira (9).
— O preço, hoje, já está sendo repassado para elos da cadeia produtiva, como os produtores. O que pode afetar mercados como o de alimentos, fibras e móveis e o de energia — resume o diretor operacional do Sindag e economista Cláudio Júnior Oliveira, que realizou o estudo.
A gasolina de aviação, que responde por 51% do consumo do setor, teve alta de 67% na última semana em relação à anterior, fazendo o litro saltar de R$ 8,36 para R$ 13,99. Na sequência aparece o querosene de aviação, com fatia de 30%, que registrou alta de 51,6%.
Reflexo disso, os custos operacionais das empresas aumentaram entre 14% e 40%, com média em torno de 25%, segundo o estudo. A estimativa das empresas ouvidas é de que seja necessário aumentar em mais de 10% os preços dos serviços. O que deve encarecer em 20% os custos de produção agrícola, que envolvem pulverização e semeadura.
Os dados, aliás, foram entregues nesta semana à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e aos ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária e à Casa Civil, junto com a defesa de medidas de apoio, incluindo subsídios, para conter a escalada dos combustíveis.




