A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Nas lavouras da safra de inverno do Rio Grande do Sul, uma cultura vem ganhando espaço e, agora, também a companhia de abelhas. É a carinata (planta da mesma família da canola), que começa a consolidar um modelo de produção que mistura agricultura e polinização assistida, tudo em um mesmo hectare.
A iniciativa, chamada Poliniza Celena, deve ganhar mais áreas neste ano. Em 2025, mais de 200 milhões de abelhas foram distribuídas em 870 hectares de carinata em municípios como Erechim, Panambi, Alegrete e Santo Ângelo, no interior do Estado. Em 2026, a expectativa da Celena Alimentos, que, junto com a Agrobee e a Nufarm, coordenam o projeto, é de que se chegue a 2,5 mil hectares. Atualmente, a área total com a cultura (sem, necessariamente, a adesão do projeto) é de 10 mil hectares em todo o RS.
O modelo de negócio combina sementes, assistência técnica, manejo e polinização, explica o gerente sênior da Celena, Vantuir Carantti. Enquanto o produtor cultiva a carinata como alternativa de inverno, as abelhas são alugadas para aumentar a produtividade da lavoura e, ao mesmo tempo, encontram ali "alimento". Segundo estimativas do projeto, essa convivência controlada pode aumentar em até 15% a produtividade da cultura.
— A presença das abelhas melhora produtividade, qualidade do óleo e ainda reduz a pegada de carbono — afirma o pesquisador da AgroBee, Diego Moure Oliveira.
Para isso, o produtor paga uma parcela, mas a maior parte fica a cargo das empresas participantes.
Atualmente, toda oleaginosa semeada no Brasil é exportada para a British Petroleum, na França e na Bélgica, onde se transforma em biocombustível para aviação — demanda crescente, aliás, do setor aéreo, que busca soluções com menor emissão de carbono.


