
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Sim, sobrou até para o cafezinho. Enquanto o Brasil se prepara para colher uma das maiores safras de café da história, o mercado internacional lembrou que o preço do grão não nasce apenas na lavoura: também passa pelos mares e pelas tensões geopolíticas do planeta.
Depois de um fevereiro marcado por quedas nas cotações, março trouxe uma reviravolta. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, indicam que o preço do café voltou a subir no mercado internacional, impulsionado pelo atual conflito no Oriente Médio e pelas preocupações com o possível fechamento do estratégico Estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas do comércio global.
Segundo Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), mesmo com perspectiva de maior produção no Brasil, o mercado seguirá sensível aos fatores externos:
— A atualização da safra indica uma produção maior de café no Brasil em 2026, o que tende a aliviar parte da pressão sobre os preços ao longo do ano. No entanto, isso não elimina a volatilidade do mercado. O cenário geopolítico, especialmente as tensões no Oriente Médio, pode impactar o setor pelo aumento dos custos logísticos e pela volatilidade cambial.
Para 2026/2027, a expectativa de que o Brasil produza 75,3 milhões de sacas, alta de 20,8% em relação à temporada anterior. As informações são da consultoria StoneX, revisadas na última semana. A recuperação vem após anos em que problemas climáticos limitaram o potencial produtivo das lavouras.




