
A semana foi de abertura da colheita do arroz em um momento delicado para a cultura. Embora tenha reagido, o preço da saca pago ao produtor está abaixo do mínimo estabelecido pelo governo federal. Para falar sobre essa conjuntura e o panorama macroeconômico global para 2026, o Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha entrevistou Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro). Leia trechos da entrevista abaixo.
O que explica esse movimento de queda no preço do arroz?
O mercado internacional está bem abastecido de arroz (a produção tailandesa, por exemplo, contribuiu para isso), o que naturalmente empurra as cotações lá fora. Só que o processo de formação de preço no Brasil não tem apenas a influência do arroz de fora. Tem também a ver com os movimentos da taxa de câmbio. E, de fato, a nossa taxa de câmbio passou por longo período de queda. É reflexo de um movimento de enfraquecimento do dólar, que tem sido política intencional do governo de Donald Trump para fazer com que os produtos norte-americanos ganhem maior competitividade no mercado internacional. E isso tem afetado a cotação de diversos ativos, valorizando-os, entre eles, o real.
Como avalia as medidas adotadas neste momento, como apoio à comercialização e incentivo à redução de área, para reagir aos preços do arroz abaixo do mínimo?
De fato, o preço do arroz está operando abaixo do custo médio de produção. Então, esses instrumentos de suporte têm que entrar em campo. De outro lado, algumas medidas relacionadas à demanda também são importantes. Uma delas é justamente tentar facilitar o processo de exportação de arroz. Aliás, quanto mais o arroz brasileiro tiver demanda no mercado internacional, mais razoável fica a situação para o orizicultor. Vamos lembrar que isso já acontece com diversas commodities aqui do Brasil, então não seria uma novidade.
O real valorizado é um empecilho para a exportação do arroz brasileiro?
É um obstáculo adicional. O principal obstáculo é justamente a demanda por arroz no mercado internacional, que está limitada porque há um quadro de sobreoferta. A busca pelo drive exportador, pela demanda do setor externo, tem que ser uma constante dentro do mercado do arroz no Brasil. Enquanto isso não acontece, esses instrumentos de política pública têm que entrar em campo para tentar trazer algum alívio. A outra medida, que é a de incentivo de redução de área plantada, embora faça todo sentido, na prática, tem uma execução muito difícil. O melhor incentivo para a expansão ou para a contração de área é justamente o preço.




