
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Uma das cabanhas mais tradicionais da pecuária gaúcha decidiu transformar aniversário em virada de página. Ao completar três décadas de seleção genética, a Rincon del Sarandy, de Uruguaiana, na Fronteira Oeste, anunciou a liquidação total do seu plantel. Serão 2,5 mil animais em pista, entre bovinos das raças angus, brangus, ultrablack e equinos crioulos. A venda ocorrerá em uma maratona de 12 remates virtuais entre 30 de maio e 10 de junho.
— É a maior oferta de genética de raça da história do Rio Grande do Sul e, talvez, do país — observa Fábio Crespo, presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais e Empresas de Leilão Rural do RS (Sindiler), que conduzirá a comercialização.
A decisão de liquidar o rebanho vem de uma mudança de rumos na família. Um dos irmãos e sócios-proprietários do negócio, Martin Tellechea passará a se dedicar integralmente aos negócios gastronômicos do Grupo Manda Brasa, responsável por restaurantes como o 20Barra9 e o 1835 Carne e Brasa. Já o outro irmão, Ignacio, seguirá na pecuária, iniciando um novo ciclo na própria fazenda. Para isso, reservou cerca de 500 embriões das principais doadoras do plantel — a base genética da chamada “Rincon 2.0”.
Segundo Ignacio, a liquidação foi a forma mais transparente de resolver a divisão societária e, ao mesmo tempo, abrir ao mercado o resultado de décadas de seleção:
— Será uma oportunidade para que criadores de todo o país levem essa genética e deem continuidade a esse trabalho.
Além disso, o megaleilão Rincon 30 anos ocorre em um momento de retomada de preços da pecuária e com previsão de bons negócios, observa o consultor e pecuarista Felipe Cassol:
— É um ano em que a procura por fêmeas está muito aquecida, e a genética de animais funcionais e adaptados, valorizada. O rebanho Rincon oferece exatamente isso.






