
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Entre as novidades que prometem despertar curiosidade na 26ª Expodireto Cotrijal, que começa nesta segunda-feira (9) em Não-Me-Toque, no norte do Estado, uma delas chama atenção pelo nome e pela história que carrega: o doce de pau. Antigo na memória de muitas famílias do interior, mas raro nas prateleiras hoje, o produto chega à feira pelas mãos da agroindústria Confituré, de Soledade.
À frente da produção está a empreendedora Jair Sgarbossa Paludo, que decidiu transformar receitas tradicionais em oportunidade de negócio. O tal “pau”, na verdade, vem de uma planta nativa do sul do país, parente de espécies como o mamoeiro e a mamona, que cresce naturalmente em áreas de mata. É a chamada jaracatiá.
O processo do doce é artesanal e exige paciência. Depois de encontrar a planta no mato, a madeira é descascada, lavada e ralada. A polpa resultante lembra coco ralado e precisa ter a seiva retirada antes de ir ao tacho. Ali, ganha açúcar, canela e cravo, transformando-se em doce.
— Muita gente chega e estranha o nome. Mas quando prova, lembra do que a avó fazia — conta Jair.
A matéria-prima vem de propriedades da família em Nova Alvorada e Itapuca, onde as árvores crescem dentro das matas. A sombra ajuda a manter a madeira mais macia, ideal para o preparo, acrescenta a produtora.
Além do doce de pau ralado, o cardápio da agroindústria inclui figo em calda, figada feita no tacho, ambrosia e doce de abóbora — muitos deles produzidos com frutas cultivadas na própria propriedade.
A participação na Expodireto será também um marco para o pequeno negócio. Será a primeira vez que a agroindústria sai das feiras locais de Soledade para apresentar seus produtos em um evento de alcance estadual. Para a estreia, Jair prepara mais de uma centena de vidros de doce de pau — e a expectativa é que a curiosidade em torno do nome se transforme em fila para provar.




