
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Com o crescimento da instabilidade no mercado internacional e a manutenção de altos estoques no mercado interno, o setor brasileiro de máquinas e implementos agrícolas precisou recalibrar suas expectativas para 2026. Nesta terça-feira (3), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) admitiu que a projeção inicial de crescimento de 3,4% nas vendas já não se sustenta. No lugar da alta, entra uma estimativa de retração de 5%.
Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da entidade, as vendas estão “muito abaixo das expectativas”.
— Elas começaram a retrair ainda no segundo semestre do ano passado, em razão do câmbio. E o câmbio faz muita diferença na rentabilidade do agricultor. Grande parte do que é negociado no agro é em dólar, que está desvalorizado. Para algumas culturas, a rentabilidade caiu bastante.
O freio ocorre justamente quando a indústria ensaiava uma retomada. Em 2025, o setor cresceu 7,4% no faturamento, alcançando R$ 66,7 bilhões. O resultado ajudou a amenizar as perdas acumuladas em 2023 e 2024, anos marcados por quedas expressivas de 21% e 19%, respectivamente. Mas ainda não totalmente.
No Rio Grande do Sul, a leitura é semelhante. A vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Carolina Rossato, avalia que o cenário também mudou no Estado. Mesmo com boa perspectiva para a safra de grãos e uma demanda por máquinas represada há cerca de cinco anos, fatores como juros elevados, commodities em baixa e o ambiente geopolítico passaram a pesar mais.
— Com o conflito entre Estados Unidos e Irã, os pilares mudam rapidamente. O petróleo, por exemplo, é fundamental tanto na manufatura das máquinas quanto na logística. Outro ponto central será o comportamento das commodities em meio a esse ambiente instável — diz Carolina.
A projeção de 5% da Abimaq, no entanto, ainda não considera os possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
— Para mensurar o impacto, precisaríamos saber quanto tempo a guerra vai durar — pondera Estevão.




