
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Depois do pétroleo e do diesel, o impacto da guerra no Oriente Médio chega agora, concretamente, aos fertilizantes. Os preços do insumo agrícola, considerado essencial para a produtividade das lavouras, dispararam pelo mundo. Nos portos brasileiros, de acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, a ureia registrou alta superior a 15% na semana. Já no nitrato de amônio o aumento foi ainda maior: a valorização chegou a 28% após subir mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período.
De acordo com o analista de inteligência de mercado, Tomás Pernías, a alta nas cotações tem a ver com especulação, incertezas e impactos concretos já observados no setor em razão do conflito.
— Muitos fornecedores retiraram suas ofertas do mercado enquanto aguardavam maior clareza sobre a situação e sobre a formação de preços da ureia no mercado internacional. Ao mesmo tempo, houve redução da produção de nitrogenados no Catar após ataques no país — detalha Pernías.
Outro fator que pressiona o mercado é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, tem sido prejudicada e compromete o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. Só de ureia, a região responde por cerca de 40% das exportações mundiais.
E quando chegará ao produtor?
Para o analista, o impacto no bolso do produtor já pode ocorrer:
— Impacta qualquer aquisição (de fertilizante) daqui para frente.
No entanto, no curto prazo, são os Estados Unidos que tendem a sentir primeiro os efeitos da guerra. O país atravessa um período crucial de preparação para a safra de primavera, momento em que a demanda por fertilizantes costuma ganhar força à medida que as temperaturas se tornam mais favoráveis às aplicações no campo.
No Brasil, o impacto tende a ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, período que antecede o plantio da safrinha de milho. Diante do cenário atual, muitos importadores podem optar por adotar uma postura mais cautelosa no curto prazo.



