
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Desde sexta-feira (27), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) tem novo comando. Eugênio Zanetti, que assumiu a presidência até 2028, passa a liderar a entidade após a saída de Carlos Joel da Silva, encerrando o ciclo de 12 anos à frente da federação. Em conversa com a coluna, Zanetti falou sobre os desafios imediatos que a agricultura familiar enfrenta no Estado e detalhou seus objetivos para os próximos dois anos. Leia trechos da entrevista a seguir:
O que levou o senhor a assumir a Fetag-RS?
Nunca foi um sonho meu assumir a presidência da Fetag-RS. Quando o presidente Joel me convidou para ser vice-presidente, tive indicação da minha regional, de Caxias do Sul. E aí as coisas foram acontecendo. Pelos próximos dois anos e alguns meses de mandato, que é o que tenho pela frente, pretendo me dedicar ao máximo. É motivo de muito orgulho, mas também de muita responsabilidade assumir o cargo que estou assumindo hoje.
Quais são os seus objetivos à frente da Fetag-RS?
Fortalecer os sindicatos, que prestam serviço aos nossos agricultores; criar uma campanha de sindicalização para ampliar o número de associados; e construir um observatório da agricultura familiar, para irmos melhor abastecidos com dados na hora de negociar políticas públicas.
Quais os desafios para os próximos dois anos?
É esse cenário que vive a agricultura no Rio Grande do Sul, de estiagens, enchentes, endividamento e baixa nos preços dos principais produtos agrícolas, que hoje não cobrem nem o custo de produção. Vamos trabalhar na defesa de um seguro rural, com a construção de um fundo. Hoje, apenas 10% dos agricultores estão cobertos. Não dá para todo risco climático ficar nas costas do agricultor, que já possui a responsabilidade que é a de produzir alimentos.
Como vice, enfrentou cenários como esses, de estiagens, enchentes e endividamento. O que foi possível avançar e o que ainda precisa ser feito?
Precisamos com urgência da aprovação do Projeto de Lei 5122/2023, que agora está no Senado. Não tem outra solução para a agricultura no Estado sem ser a de um alongamento dessas dívidas por pelo menos 15 anos para pagamento, com 3 anos de carência. As prorrogações que foram feitas até então, empurraram o problema para frente. Depois da assembleia (realizada na sexta-feira, dia 27, na Fetag-RS), vamos elaborar documentos para o governo federal, solicitando urgência e ações imediatas, seja para os produtores de leite, seja para a questão do endividamento, seja para o assunto dos preços agrícolas.



