
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, decidiu encurtar ainda mais o caminho entre o campo e o prato. O complexo quer ampliar em até 50%, neste ano, a presença de alimentos da agricultura familiar no cardápio servido diariamente a milhares de pacientes e funcionários.
Hoje, 31,7% dos alimentos que abastecem os refeitórios do grupo já vêm diretamente de produtores organizados em cooperativas — porcentagem acima do mínimo de 30% previsto pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal.
Na prática, isso significa R$ 7,3 milhões pagos diretamente às atuais 22 cooperativas fornecedoras. São cerca de 140 itens contratados, que vão de hortifrútis in natura e minimamente processados a leites, iogurtes, pães, biscoitos, sucos, cereais e carnes.
Desde a retomada do PAA, em 2023, o hospital precisou adaptar processos de compra, logística e até sistemas internos. A aquisição ocorre por chamada pública e leva em conta critérios como proximidade geográfica e número de agricultores envolvidos.
— Começamos com produtos mais básicos, como hortaliças e itens higienizados, como as batatas pré-cortadas. Aos poucos fomos ampliando e hoje temos toda a variedade de produtos, com contato direto com os produtores, inclusive para que eles se organizem no plantio e consigam nos abastecer — conta Alex Borba dos Santos, chefe de gabinete da presidência e responsável pela coordenação da política no grupo hospitalar.
A mudança também mexeu na rotina administrativa e exigiu reforço na equipe para gerenciar contratos e entregas. Antes havia um único fornecedor principal; agora são dezenas, vindos de diferentes regiões e com variados produtos.
Na cozinha, o movimento também é de transformação. A sugestão é de reduzir o uso de alimentos processados ou ultraprocessados e priorizar ingredientes frescos.
— Um hospital não pode apenas medicar para curar. Precisa alimentar bem para que as pessoas não adoeçam — resume Santos.




