
Falar da Expodireto Cotrijal é também falar sobre o setor de máquinas e implementos agrícolas, um dos pilares da feira e da economia gaúcha. O Rio Grande do Sul concentra o principal polo de produção do país, responsável por cerca de 60% dessa tecnologia fabricada no Brasil. Carolina Rossato, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers), detalhou o momento da cadeia produtiva para o programa Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha deste domingo (15).

Como foram as vendas da 26ª Expodireto? Qual é a importância de marcar presença em feiras como essa?
Lógico que (este) é um ano mais difícil, mas também não é o primeiro e não será negativo. Estamos em um polo metal-mecânico, especializado em máquinas agrícolas, que gera mais de 30,7 mil empregos no Estado, com 566 fabricantes. Tem países na Europa que não têm a indústria de máquinas agrícolas que o Rio Grande do Sul tem. Desenvolvemos tecnologias que, inclusive, exportamos. E um dos grandes diferenciais da Expodireto é a que a indústria está localizada na região Norte, então nossos clientes de fora podem conhecer as fábricas, a agricultura e o produto final na feira.
Considerando o contexto de estiagens e endividamento, a feira ficou mais devagar no fechamento de negócios?
A feira, como todo segmento, está em um momento mais difícil. Mas conseguimos prospectar clientes para trabalhar nos próximos seis meses. Lógico que essa incerteza do diesel bem na hora da colheita afetou totalmente o fechamento de negócios. Não que eles não existam. Mas tivemos três, quatro safras marcadas por estiagens e estamos com endividamento grave de alguns produtores. Precisamos a proposta da renegociação que está em Brasília saia. está mais do que na hora de ser feita. Nós temos que usar o (próximo) Plano Safra (a ser elaborado em 60 dias).
Qual é o papel da inovação na indústria de máquinas agrícolas no sentido de buscar uma maior resiliência para o Estado?
O Estado precisa, urgentemente, de um planejamento estratégico de irrigação. Isso é o prioritário. Qualquer candidato ao governo do Estado neste ano tem que apresentar um plano de irrigação para a agricultura. E a inovação auxilia muito na questão de mão de obra e redução de custo. Antigamente a tecnologia apenas era acessada por agricultores grandes. Hoje, temos a mesma possibilidade para o pequeno e o médio também, com preços adequados.
Qual é o seu prognóstico para 2026 em relação ao setor de máquinas?
Em dezembro, fizemos uma estimativa de crescimento de 3,4%. Agora, em fevereiro, revisamos essa expectativa, porque muita coisa aconteceu nesse caminho. Não temos certeza de como vai ficar o custo de produção, tanto do fertilizante, quanto do diesel. Também não sabemos como vai ficar o preço das commodities como soja e arroz. Está tudo muito incerto neste momento, mas acreditamos que, nos próximos meses, as coisas comecem a se reorganizar.





