
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Antes mesmo de os portões da 26ª Expodireto Cotrijal se abrirem, na próxima segunda-feira (9), em Não-Me-Toque, o Pavilhão da Agricultura Familiar já antecipa o que estará nas prateleiras: sabores que misturam tradição, estratégia e valor agregado. Entre os 224 empreendimentos confirmados, a agroindústria Um Cafuné é uma das que aposta em lançamentos: um mandolate com noz pecan e uma pasta de amendoim que também incorpora a oleaginosa na receita.
Criada pelas irmãs Letícia, 29 anos, e Maria Tereza Furlanetto, 33, a marca nasce da terceira geração de produtores de Anta Gorda, no Vale do Taquari, um dos polos gaúchos da noz-pecã. O avô iniciou o cultivo, atualmente em oito hectares, focado na venda da noz com casca. As netas, depois de ensaiarem caminhos fora da propriedade, voltaram com outra proposta: transformar a matéria-prima em produto com valor agregado.
Hoje, a família colhe, em média, duas toneladas por ano e complementa com o volume da produção de terceiros, mas a meta é, em quatro ou cinco anos, trabalhar apenas com produção própria. A noz in natura ainda tem espaço, mas o coração do negócio está nas versões processadas: torrada, salgada com sal marinho, agridoce, defumada e caramelizada — inclusive com café e cappuccino.
Com relação às novidades, que prometem ser o carro-chefe de vendas na feira, surgiram a partir do aperfeiçoamento de receitas familiares.
— No caso do mandolate, usamos uma receita que a nossa mãe fazia em casa e que agora ganha uma leitura nossa, com a inclusão da noz pecan — diz Leticia.
Maria Tereza acrescenta:
— Agricultura familiar é isso: todo mundo coloca a mão em todo o processo.
Expectativas para essa edição
Histórias como essa ajudam a explicar por que o pavilhão da agricultura familiar se consolidou como uma das áreas mais disputadas da Expodireto Cotrijal. Segundo Jocimar Rabaioli, assessor de Política Agrícola e Agroindústria da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), a expectativa para as 224 agroindústrias é positiva, mesmo em um ano marcado por instabilidade climática e oscilações de preços. Aliás, em comparação à edição passada, houve um acréscimo na participação de duas agroindústrias neste ano.
— A área da agricultura familiar mantém procura alta. Há, inclusive, fila de espera por estandes — acrescenta Rabaioli.






