
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, deflagrado no fim de semana, reacendeu um novo capítulo de instabilidade no Oriente Médio — com reflexos que já começam a ser sentidos nos mercados globais e podem impactar o agronegócio brasileiro. A ofensiva iniciada no sábado levou a retaliações iranianas e disparou alertas em setores como energia, fertilizantes e logística marítima, que influenciam diretamente o custo de produção do agricultor.
A instabilidade se concentra no Estreito de Ormuz, corredor por onde passam embarcações que abastecem o mundo com petróleo, insumos e produtos agropecuários. Renan dos Santos, assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), observa:
— Mesmo com a presença americana, o Irã consegue causar impacto, atacando embarcações e gerando instabilidade. Algumas companhias internacionais já evitam passar pelo estreito, e isso deve pressionar preços de frete e seguros globalmente.
No Brasil, o efeito se reflete principalmente nos fertilizantes. A ureia iraniana responde por apenas 2% das importações nacionais, mas qualquer choque na oferta global já pressiona os preços internos. O Irã é um dos maiores produtores desse fertilizante nitrogenado no mundo, e, mesmo antes da última escalada militar, as cotações da ureia nos portos brasileiros já registravam alta no início do ano, segundo dados da consultoria StoneX. Nesta segunda-feira (2), a empresa deve divulgar os números oficiais atualizando impactos nos valores.
A situação também preocupa exportadores de soja, milho, farelo de soja, açúcar e proteína animal, que dependem do transporte seguro pelo estreito. Em 2025, o Irã foi o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume.





