
No mosaico de desigualdades produzido pela chuva irregular sobre a safra de verão no Rio Grande do Sul, algumas áreas concentram os maiores percentuais de frustração. Na atualização de safra apresentada pela Emater nesta terça-feira (10) na Expodireto Cotrijal, as regionais de Santa Rosa, Frederico Westphalen e Ijuí têm, na média da soja, principal cultura da estação, as maiores diminuições em relação ao que se esperava colher no início do ciclo: 27%, 13,4% e 13,2%.
— São regiões onde a face da condição de estresse hídrico associado à alta temperatura foi mais severa — pontua Claudinei Baldissera, presidente da Emater.
Ele pondera, no entanto, que mesmo dentro dessas áreas há pontos onde as perdas são ainda maiores e outros onde as condições foram mais favoráveis e devem garantir uma safra mais próxima ou igual ao que se esperava no início do ciclo.
No geral do Estado, a combinação de falta de chuva e calor extremo desidratou em 2,42 milhões de toneladas a colheita prevista para a soja. As 19,02 milhões de toneladas projetadas agora representam redução de 11,3% para a cultura.
A estimativa atualizada vem em linha com o que projeções do mercado vêm apontando, entre 18,5 milhões e 19 milhões de toneladas.
_ Santa Rosa e Missões têm os cenários mais críticos _ reforça Índio Brasil dos Santos, sócio-diretor da Solo Corretora.
Quando se põe uma lupa, no entanto, sobre municípios, há outras áreas com impacto importante (e áreas significativas cultivadas). Bagé, por exemplo, tem 105 mil hectares plantados com soja, e a perda média, em produtividade, está estimada pela Emater em 44,4% sobre o começo do ciclo. Nas Missões, São Luiz Gonzaga, com 85,5 mil hectares cultivados, a redução média fica em 28%.
No todo, a produção de grãos de verão deve encolher 7,1% no RS. O destaque positivo vem do milho, que tem colheita 3% maior do que se esperava no começo da safra: devem ser 5,96 milhões de toneladas.


