
A semana começa com mais uma edição da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, no norte do Estado — feira que virou sinônimo de tecnologia no agronegócio, mas também de valorização das agroindústrias familiares. Para falar sobre a importância desse espaço para os produtores e para os consumidores, o Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha deste domingo (8) entrevistou Jocimar Rabaioli, assessor de Política Agrícola e Agroindústria da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS). Confira trechos.
Qual é o tamanho deste espaço nesta edição?
O pavilhão da agricultura familiar terá 224 empreendimentos vindo de diversas regiões do Estado. Serão mais de 120 municípios representados. Uma representação fortíssima. Se comparar com 2008, quando iniciou a primeira Feira da Agricultura Familiar na Expodireto Cotrijal, havia menos de 100 expositores. Na época, era uma dificuldade levar expositores da agricultura familiar para a feira. Hoje temos essa grande vitrine para a diversidade da agricultura familiar.
Como são escolhidas as agroindústrias que vão estar presentes na feira?
A comissão do pavilhão, que envolve Emater, Fetag, Cotrijal e Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, se reúne em novembro e abre o processo de divulgação das inscrições para todo o Estado. Os empreendimentos têm oportunidade de se inscrever com seus sindicatos ou através da Emater. A partir daí, a comissão faz uma triagem, adotando os critérios de participação. O primeiro é de serem empreendimentos inclusos no Programa Estadual da Agroindústria Familiar (Peaf). A prioridade é aqueles empreendimentos que estão na região mais próxima do evento e iniciantes. Neste ano, 48 empreendimentos participarão pela primeira vez. Outro critério é a diversidade dos produtos.
Vocês chegam a receber demanda também dos consumidores?
Recebemos a demanda, mas nem sempre conseguimos atender. A política pública tem o papel de apoiar a comercialização, as feiras e dar oportunidade para novos empreendimentos. Priorizamos produtos diferentes, mas muitas vezes não conseguimos atender pontualmente.
Que tipo de produtos teremos entre os estreantes da edição de 2026?
A diversidade é muito grande. Teremos, com certeza, aqueles produtos tradicionais da agroindústria familiar, que são cuca, queijo, salame, geleia, vinho, frutas cristalizadas e espumantes, mas também novidades, como um salame com nozes, chás orgânicos e assim por diante. Temos também um doce que é feito de uma madeira ralada. Enfim, acho que esse é um pouco do papel que nós, Fetag, defendemos dentro da comercialização. A agroindústria familiar precisa olhar o mercado, mas, acima de tudo, precisa preservar a identidade desses produtos, a tradição. É claro que as novidades são importantes, mas não podemos esquecer daqueles saberes e sabores herdados de geração por geração dos nossos avós.
Diferentemente da Expointer, a Expodireto é voltada para negócios, basicamente. Então, quem vai para essa feira é, realmente, o produtor. Considerando o momento de preocupação com a safra atual, o que dá para projetar em termos de vendas para a agricultura familiar?
A Expodireto Cotrijal é uma grande vitrine para a agricultura familiar. Seja pela ampliação de mercado, visibilidade, comercialização, geração de novas parcerias, troca de experiências, a Expodireto exerce um papel fundamental que é a lapidação dos empreendimentos. Esses 48 empreendimentos que estarão participando pela primeira vez da feira, com certeza, ficarão marcados positivamente pela feira, desde a busca e troca de experiência entre colegas, aperfeiçoamento de embalagem, rotulagem e assim por diante. A nossa expectativa é de pelo menos alcançarmos os últimos anos da comercialização no pavilhão, que foi cerca de R$ 3 milhões.
Qual é a importância para a agroindústria familiar de estar em um espaço que agrega pessoas?
Ambas as partes se complementam, né? Aquele visitante que passa na Expodireto dificilmente deixa de passar no pavilhão da agricultura familiar. Além disso, muitos dos agricultores familiares que estão no pavilhão também trabalham com outras atividades, inclusive, com grãos. Muitas vezes, a agroindústria é uma atividade complementar. E aí nesse sentido entra a complexidade e a importância da feira nessa troca de experiência, de serviços, de tecnologia que se encontram ali.





