
A onda de calor registrada no Rio Grande do Sul, com máximas ultrapassando os 35ºC, acende o alerta também no campo. Da produção de soja à de leite, as temperaturas elevadas ampliam o estresse e podem trazer impactos sobre o rendimento.
— Do ponto de vista da safra, este é o momento que requer maior cuidado, possivelmente deve ser a última grande onda de calor (do ciclo) — pondera o meteorologista Flávio Varone, coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro), da Secretaria Estadual de Agricultura.
Na prática, a temperatura elevada a extremos aumenta a evapotranspiração. Combinada a ausência ou pouca ocorrência de chuva, amplia o estresse térmico de plantas e animais.
— A questão hídrica mais o calor potencializa a dificuldade momentânea — reforça Alencar Rugeri, assistente técnico em culturas da Emater.
Outro detalhe importante, no caso da produção de grãos, refere-se à principal cultura da estação: a soja, que registrou a última safra cheia em 2021. A maior parte das lavouras do Estado está nas está nas etapas de desenvolvimento de floração (46% da área estimada) ou de enchimento de grãos (12%).
— É no período de maior risco, quando há uma necessidade de equilíbrio maior —observa Rugeri.
Presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS), Ireneu Orth reforça que este é um "momento crucial", em que precisa chover. Ele acrescenta que há regiões onde a situação transcorre com normalidade, e a chuva tem caído. Em outras, não chove.
O mapa da onda de calor se desenha principalmente sobre a Fronteira Oeste e o Noroeste. Esse cenário de chuva não uniforme interfere principalmente na expectativa de resultado que o produtor vinha alimentando para a atual safra, observa o assistente técnico em culturas da Emater.
— É uma semana de bastante cuidado. Quem tiver irrigação e reserva hídrica, deve manejar bem essa água, com parcimônia, para passar esse momento crítico — orienta Varone.






