
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Com mais espaço dentro da programação neste ano, a pecuária aproveita a vitrine da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão, para se aproximar dos arrozeiros. Entre os painéis previstos nesta terça (24), quarta (25) e quinta-feira (26), um deles apresentará a Indicação Geográfica da Carne do Pampa Gaúcho aos produtores como alternativa de renda e agregação de valor dentro do mesmo território. Neste ano, o selo completa duas décadas.
A iniciativa de levar o tema ao evento partiu da diretoria da Associação dos Produtores de Carne do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional (Apropampa), entidade que detém a IG. A leitura é de que muitos produtores de arroz enfrentam margens pressionadas e riscos climáticos crescentes, e podem encontrar na integração com a pecuária uma forma de diluir custos e reduzir exposição.
— A maioria das lavouras de arroz está assentada no Pampa. O produtor já tem maquinário, já domina o manejo da terra e pode produzir alimento para o gado. É possível integrar uma pecuária eficiente ao sistema — defende o presidente da entidade, Custódio Magalhães, que participa do painel nesta quarta-feira (25).
A proposta não é substituir o arroz, mas complementar o sistema produtivo. Em vez de depender exclusivamente de uma cultura, o produtor pode destinar parte da área à recria e terminação de bovinos, em modelos mais intensivos e de ciclo curto, com foco em ganho de peso, precocidade e acabamento de carcaça.
O argumento ganha força quando entra na conta a remuneração. Segundo Magalhães, a carne certificada pela Apropampa, em parceria com o Frigorífico Silva, paga 6% acima de outros programas.
— Se tu tem 100 bois, no fim recebe como se tivesse 106. É o reconhecimento por entregar qualidade e origem identificada — compara.
Além disso, o selo funciona como ferramenta de comunicação: na gôndola, identifica procedência e padrão de qualidade, conectando o produtor ao consumidor final.
— Os mercados mais valorizados querem história, querem origem. E o nosso grande diferencial é justamente o bioma — argumenta aindaMagalhães.
Criada em 2006, a IG nasceu de uma articulação entre universidade, setor produtivo e entidades com um objetivo de demonstrar que o bioma Pampa influencia sabor, maciez e identidade da carne produzida no sul do Estado. Em um país historicamente associado ao gado zebuíno e à carne commodity, a estratégia foi posicionar o Rio Grande do Sul como origem diferenciada, com base pastoril, tradição de mais de quatro séculos e vínculo direto com o campo nativo.
Hoje, a associação reúne cerca de 400 produtores. Além disso, 50% dos animais abatidos pelo Frigorífico Silva contém a IG da Apropampa.

