
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Se antes o mercado trabalhava com a expectativa de uma safra maior, agora o desenho da produção começa, de fato, a ganhar contornos mais nítidos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (5) o primeiro levantamento do ciclo e trouxe uma projeção histórica: 66,2 milhões de sacas de café. O volume representa um crescimento de 17,1% em relação à safra anterior e, se confirmado dentro das lavouras, marcará um novo recorde na série histórica da estatal, superando o desempenho de 2020, quando foram colhidas 63,1 milhões de sacas.
Entre os fatores que sustentam essa expectativa está a chamada bienalidade positiva — fenômeno fisiológico e natural do cafeeiro, que alterna ciclos de menor e maior produtividade. Após um ano de baixa, a planta concentra energia e responde com rendimento elevado na safra seguinte. Soma-se a isso o aumento de 4,1% na área cultivada em relação a 2025, estimada em 1,9 milhão de hectares nesta temporada.
No entanto, mesmo diante de uma colheita recorde, os preços do café tendem a seguir em patamares elevados. É o que apontam tanto a Conab quanto a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
— Mesmo com essa maior oferta, o cenário internacional vai seguir firme — reforçou Celírio Inácio, diretor executivo da Abic, citando o consumo e os estoques entre as justificativas.
Do lado da demanda, o consumo mundial mantém trajetória de alta e deve alcançar novo recorde, estimado em 173,9 milhões de sacas de 60 quilos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O avanço é puxado principalmente pela atual demanda do mercado asiático, com destaque para China, Indonésia e Vietnã.
Além disso, o cenário global segue apertado do ponto de vista da oferta. Os estoques mundiais no início da safra 2025/26 são os menores dos últimos 25 anos, projetados em 21,3 milhões de sacas de 60 quilos — uma retração de 7,8% na comparação com o ciclo anterior.

