
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
À medida que a safra avança, o tamanho da colheita começa a ganhar contornos mais nítidos nos pomares. Projeção divulgada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) nesta terça-feira (10) indica que a produção nacional de azeite de oliva em 2026 deve superar o recorde histórico de 640 mil litros registrado em 2023, impulsionada pelo desenvolvimento das lavouras e por condições climáticas mais favoráveis.
No fim de 2025, a sinalização era mais moderada. À época, o setor falava em superar o patamar de 580 mil litros, número já considerado expressivo diante das perdas acumuladas nos dois anos anteriores. Agora, com a safra mais avançada, a leitura é de que o desenho produtivo está mais nítido — ainda como projeção, mas com bases mais sólidas.
O otimismo contrasta com o desempenho recente. Depois do pico de 2023, a produção recuou para 340 mil litros em 2024 e caiu novamente em 2025, quando ficou em torno de 240 mil litros. O excesso de chuvas e a alta umidade, fatores críticos para a cultura da oliveira, comprometeram tanto a quantidade quanto o manejo dos pomares.
Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, esse período forçou uma revisão interna no setor. A atenção, que antes estava voltada ao mercado, passou a se concentrar na análise técnica e no investimento em pesquisa. O objetivo foi entender os limites da produção em condições adversas e corrigir rotas.
Em 2026, o ambiente é outro. Com menor pressão climática e melhor resposta das plantas, o setor volta a falar não apenas em recuperação, mas em expansão. A possibilidade de o Brasil se aproximar da marca de 1 milhão de litros, ainda tratada como horizonte de médio prazo, volta a entrar no radar.
Com cerca de 550 produtores distribuídos por aproximadamente 200 municípios de sete Estados, a olivicultura brasileira segue concentrada no Rio Grande do Sul, responsável pela maior parcela da produção nacional. Jovem, mas cada vez mais estruturado, o setor entra em um ciclo em que a expectativa dá lugar a um cenário mais definido — ainda sem certezas absolutas, mas com sinais claros de que a próxima safra tende a ser a maior da história.




