
A grande perda que se desenha nas lavouras de soja do Rio Grande do Sul é da expectativa de uma boa colheita, após uma sequência de estiagens. Relatos de danos irreversíveis por conta da combinação de pouca ou nenhuma chuva em períodos de mais de 20 dias emergem das plantações sobretudo no Norte, Noroeste e Fronteira Oeste.
— Até chove em algumas localidades, mas são pontos muito pequenos. Aqui, praticamente toda a região está sofrendo — resume Fernando Zimermann, de Caiçara, no norte do Estado.
Com 120 hectares de soja semeados, calcula colher 40% menos em relação ao esperado para esta safra. Isso se soma a um histórico de quatro anos de repetição da estiagem na propriedade:
— O agricultor segue fazendo o que sempre soube fazer: produzir. Mas hoje está cada vez mais difícil.
De modo geral, o raio X do momento mostra uma heterogeneidade nas lavouras , aponta o diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera:
— O ponto central é a etapa de desenvolvimento da soja. É a fase de maior demanda hídrica. A ausência de chuva, associada ao calor traz efeitos como murchar a planta, queda da flor, abortamento de vagem e formação de grão com pouca água.
A grande maioria das lavouras (73%) está nas fases de floração e de enchimento de grão. Baldissera diz que há pontos com danos irreversíveis, mas outros em que o cultivo vem dentro da normalidade. Por vezes, dentro de uma mesma região, até de um mesmo município.
— Se percebe uma alternância de paisagem em poucos quilômetros. Tem "manchas" — relata o diretor técnico, sobre o cenário no Interior.
Semanalmente, a Emater traz um acompanhamento do desenvolvimento das culturas de verão. Em números, os efeitos que a atual escassez de chuva causarão no todo da safra devem aparecer mais à frente. Na segunda semana de março, será apresentado uma atualização do levantamento da safra, dentro da programação da Expodireto Cotrijal. Os dados serão compilados perto da data, justamente para trazer o retrato mais aproximado possível do ciclo.
Com menos grãos colhidos, Zimermann, aponta que o endividamento cresce, enquanto o seguro rural não chega, e o acesso ao crédito fica mais restrito, com taxa elevada de juro. Para completar o aperto, a queda no preço da soja fecha o cerco.








