
Em meio à crise do setor, um dado sintomático sobre a produção de arroz no Rio Grande do Sul emerge: a área cultivada encolheu em torno de 9%. A informação vem do levantamento final feito pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e que deve ser confirmado na próxima semana. A certeza trazida, neste momento, pelo presidente da autarquia, Alexandre Velho, é de que será inferior a 900 mil hectares. A dúvida é se 880 mil ou 890 mil hectares.
Uma redução sobre os 970,2 mil hectares cultivados no ciclo 2024/2025, com uma variação percentual entre 8,26% e 9,29%. A diminuição do espaço inclusive vinha sendo recomendada por entidades do setor, como forma de reduzir ainda mais a elevada oferta que, associada a outros fatores, fez o preço despencar abaixo do mínimo.
— Das seis regionais (do Irga), somente a Planície Costeira Externa não diminuiu (por uma questão operacional quando do levantamento da intenção de plantio). As outras reduziram — aponta o presidente do Irga.
No perfil de quem optou em deixar menor o espaço da cultura, estão produtores de todos os tamanhos, especialmente em regiões como a Central, amplamente impactada pela cheia de 2024. Encolher a área cultivada com arroz é, inclusive, uma das sete ações para tentar aplacar a crise listadas em apresentação, nesta quinta-feira (5), na Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
— Viemos o momento do agro mais delicado na história do RS, por um consórcio de fatos. Especificamente no arroz, vínhamos de anos bons, mas o mercado despencou, e tem essa dificuldade — ponderou Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul.
Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS), Denis Dias Nunes reforçou:
— Fomos surpreendidos por uma contingência da mais difícil dos últimos tempos.
Foi o que surgiu a partir da combinação de "uma das maiores colheitas" não só no Brasil, mas também no Mercosul e oferta global ampliada, o que acabou deprimindo os preços. Somou-se a isso a dificuldade de crédito, com juros altos, o endividamento, a perda de espaço da indústria gaúcha (de arroz) e o resultado foi "uma conjuntura muito negativa na safra (24/25), que se arrastou (para a atual).
É nesse quadro que entidades unem força e buscam propor ações para reverter a crise, que pode ser ampliada a partir da entrada da nova safra.
— Estamos trabalhando antes do problema acontecer, prevendo uma dificuldade em 2026, que vem de longa data — pontuou Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, sobre as iniciativas mencionadas (veja abaixo).
As sete ações para a crise do arroz
A entidade frisou que várias estão em andamento, a partir do alerta identificado em junho de 2025:
- Divulgação do cenário preocupante para o setor em 2026, com a orientação para que produtores reduzissem a área cultivada
- Busca de mecanismos de apoio à comercialização ( com os prêmios de escoamento de produção e aquisições do governo federal) para a produção colhida neste ano
- Uso dos recursos da taxa de Cooperação e Desenvolvimento da Orizicultura (CDO) para apoio às exportações: lei estadual que dá aval a essa finalidade foi aprovada e, agora, aguarda a regulamentação
- Proposta para flexibilização do ICMS, de forma temporária, para o período de maior comercialização
- Proposta de desconcentração dos vencimentos das Cédulas de Produto Rural (CPRs): a ideia é diluir ao longo do semestre, em vez de apenas março e abril. Com isso, o objetivo é evitar a concentração também de vendas, o que tende a puxar preços para baixo
- Alongamento dos custeios junto aios bancos: o objetivo é o mesmo da anterior, tirando a concentração de vencimentos (e, portanto, a necessidade de vendas) de um período específico
- Pesquisa, divulgação e medidas contra a venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem






