
Se em 2025 foi o aumento exponencial do apetite americano que elevou de forma considerável as exportações de ovos do Brasil, 2026 dá sinais de que outros "candidatos" podem assumir esse posto. O primeiro mês do ano fechou com um aumento de 30,9% nos embarques da proteína em relação a janeiro anterior, com 3.076 toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Em receita, o crescimento foi ainda maior: 53,1%, com US$ 6,41 milhões. Os Emirados Árabes Unidos aparecem na ponta entre os principais destinos da proteína, mas é o avanço percentual de Japão e Chile que chama a atenção. O país asiático ampliou as compras de ovos produzidos no Brasil em 267%. O Chile, em 184%. Na quarta posição aparece o México, com incremento de 65% em relação ao ano passado.
Para Ricardo Santin, presidente da ABPA, o resultado mostra uma retomada de destinos depois de um 2025 com "comportamento atípicos" de mercados como o dos Estados Unidos, que enfrentaram escassez de oferta da proteína em razão de surtos de gripe aviária. O cenário fez os americanos ampliarem à abertura ao produto brasileiro, com percentuais de crescimento que chegaram a passar de 1.000%. Posteriormente, o anúncio da sobretaxa, em julho, acabou freando o movimento.
— O crescimento expressivo de Japão, Emirados Árabes Unidos, Chile e México indica maior diversificação e redução de concentração, o que traz mais estabilidade ao setor. Trata-se de um movimento consistente de consolidação da cultura exportadora, com foco em mercados de maior valor agregado e contratos mais previsíveis — enfatizou o dirigente.
Da mesma forma, a procura por ovos produzidos no Rio Grande do Sul seguem "em evolução", observa José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav):
— Estamos otimistas este ano. Se mantendo o cenário sem enfermidades e impactos ambientais extremos, deveremos avançar mais nas exportações de ovos no decorrer do ano.
Na projeção feita para 2026, a ABPA aponta uma produção de ovos de até 62,25 bilhões de unidades, o que representa alta de 6,8%. Já a exportação, deve crescer até 12,5%, com 45 mil toneladas embarcadas.





