
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Não é só título: além de Capital do Abacaxi, Terra de Areia carrega a fama de produzir a fruta mais doce do Rio Grande do Sul. Um reconhecimento que não nasceu do acaso: tem explicação geográfica.
Segundo o extensionista rural da Emater de Três Cachoeiras, município próximo, Micael Machado, a reputação começou a nascer ainda na década de 1940, quando o cultivo do abacaxi ganhou espaço na região. Desde então, Terra de Areia passou a tirar proveito de um aliado decisivo: o microclima.
— É um microclima diferenciado, que praticamente afasta o risco de geadas. E o abacaxi, embora resista bem ao vento e à chuva, não tolera geada — explica o técnico agrícola.
O solo arenoso completa a receita do sucesso. Hoje, o cultivo ocupa cerca de 300 hectares no município, organizados em sistema de rotação: metade das áreas entra em produção a cada ano, garantindo regularidade na oferta e qualidade da fruta.
Mas a doçura tem outro fator-chave: o tempo certo de colheita. Por ser uma fruta não climatérica — ou seja, que não amadurece depois de colhida — o abacaxi precisa sair do pé quase no ponto do consumo. E é aí que a localização de Terra de Areia vira vantagem competitiva.
— Abacaxis de outros Estados não podem ser colhidos muito maduros, porque não suportariam o transporte até o Rio Grande do Sul. Acabam sendo colhidos verdes, o que resulta em mais acidez e menos açúcar — detalha Wolnei Fenner, extensionista rural da Emater em Terra de Areia.



