
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Uma biblioteca que não guarda livros, mas plantas que remontam a paisagens inteiras. Assim pode ser definido o Herbário BLA (Laboratório Brasileiro de Agrostologia), que alcançou, neste início de ano, a marca de 20 mil exemplares no acervo. O número consolida a coleção como um dos mais importantes registros da flora campestre do sul do Brasil.
E, mais simbólico que isso, só a espécie de número 20 mil: o Butia witeckii. Rara, endêmica do Rio Grande do Sul e ameaçada de extinção, a palmeira foi coletada em Júlio de Castilhos durante uma expedição recente da equipe do herbário, que soma cinco pessoas.
— É muito provavelmente o butiazeiro mais raro e ameaçado do Estado. O levantamento mostrou que a população inteira não passa de 100 indivíduos reprodutivos — contextualiza o curador, Gilson Schlindwein, pesquisador do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria Estadual da Agricultura.
Fundado em 1947, o Herbário BLA guarda, desde então, exemplares catalogados que são testemunhas do que existiam — e de como existiam — em determinada região. Ali estão conservadas pistas sobre a composição original da vegetação nativa, o avanço da agricultura, a urbanização, a conversão de áreas naturais e, mais recentemente, os efeitos das mudanças climáticas.
Para isso, as plantas passam por um processo rigoroso: coleta, desidratação em estufa, prensagem e catalogação. Assim, podem ser preservadas por mais de 100 anos.

Butiazais sob lupa
No caso do Butia witeckii, a coleta integra o projeto Integrando conservação e geração de renda através do manejo, cultivo e valorização econômica em áreas com butiazeiros nativos do RS. Além de avaliar populações, a equipe faz levantamento florístico, analisa indivíduos e estuda formas de manejo que conciliem uso econômico e conservação.
Hoje, são oito espécies de butiazeiros registradas no Estado, cada uma associada a uma composição florística própria — mosaicos que ajudam a entender quais áreas são estratégicas para conservação e como podem ser manejadas de forma sustentável.






