
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
No agronegócio, a inteligência artificial já não é mais conversa sobre futuro: aparece como resultado no faturamento. Dados inéditos da 29ª CEO Survey da PwC mostram que 33% das empresas do agro identificaram crescimento de receita após adotar a tecnologia. A pesquisa ouviu mais de 4,4 mil líderes em 95 países, incluindo o Brasil.
Em um setor pressionado por custos, clima e volatilidade, o aumento de receita é um sinal positivo para que ocorra mais investimentos na tecnologia, na avaliação de Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócio da PwC Brasil. Ainda assim, 58% dos executivos disseram ter sentido pouco ou nenhum impacto imediato.
— O cenário é promissor, mas também recheado de desafios. O que surpreende positivamente nesta edição da pesquisa é a forma como a inteligência artificial já aparece conectada a resultados concretos — acrescenta Mayra.
Em relação aos custos, os efeitos são mais equilibrados: 33% observam redução associada a ganhos de eficiência e automação possibilitados pela IA, 18% apontam aumento, possivelmente ligado a investimentos em tecnologia e capacitação, e 48% mantêm os custos estáveis, o que sinaliza uma fase ainda gradual de captura de benefícios.
A tecnologia também traz impactos para a força de trabalho. Na pesquisa, 60% dos CEOs do agronegócio avaliaram que suas empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos. Para cargos de nível médio e sênior, espera-se um impacto bem menor na redução de pessoal.
Outros destaques desta edição
Tensão no ar
- O otimismo dos líderes do setor em relação à economia global recuou em 2026: 50% projetam aceleração do crescimento, abaixo dos 66% registrados no ano anterior, bem como da média global (61%) e do resultado de todos os setores no país (56%)
- A confiança no crescimento da receita no curto prazo também diminuiu de 48% para 38%, convergindo para a média nacional e permanecendo acima do patamar global
Ameaça de curto prazo
- O perfil de risco do agronegócio brasileiro é fortemente concentrado em fatores inflacionários, macroeconômicos e climáticos.
- A inflação é a principal preocupação, com 35% dos CEOs indicando alta exposição, acima das médias brasileira e global.
- A instabilidade macroeconômica e as mudanças climáticas (ambas com 33%) também figuram entre os riscos mais relevantes, com destaque para a exposição climática, significativamente superior à observada no Brasil e no mundo
Setores sem fronteira
- 50% dos CEOs do agronegócio no Brasil afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, percentual alinhado à média nacional de todos os segmentos (51%), o que indica o avanço da convergência entre o agronegócio e outras indústrias, impulsionada por tecnologia, sustentabilidade e novos modelos de atuação






