
Com o alerta da falta de chuva novamente no radar dos produtores gaúchos, o governador Eduardo Leite anunciou no lançamento da Expodireto Cotrijal novo projeto para dar escala à irrigação no Estado. Uma proposta para prorrogar a suspensão do pagamento da dívida à União é construída com o objetivo de ampliar de forma mais consiste a área que conta com o uso do sistema.
— Precisa ser um avanço de milhões de hectares. Tem sido dolorido para o RS a falta de chuva— disse o governador na cerimônia realizada na Capital.
A proposta é prorrogar por mais três anos a suspensão do pagamento das parcelas da dívida — que vai até abril de 2027 —, concedida após a enchente de 2024. Esses recursos, de cerca de R$ 15 bilhões, seriam aplicados em um programa para a irrigação mais encorpado do que o vigente, que subsidia parte do investimento feito pelo agricultor. O argumento é de que, para o RS, a estiagem tem causado perdas ainda mais severas do que a da cheia.
Leite explicou que a forma de dar maior escala pode ser via subsídio maior em dinheiro ao produtor ou com subvenção à taxa de juro.
— Acho que há espaço para que possamos, dentro do governo vigente, viabilizar uma negociação, mas se não chegarmos a esse ponto, no mínimo, a gente começa esse debate para ir amadurecendo — disse o governador, ao ser questionado sobre a viabilidade política da proposta em ano de eleição.
A falta de chuva volta a preocupar o Estado, com áreas já contabilizando mais de 20 dias sem chuva, com impacto sobre a expectativa inicial para a atual safra.
— A partir da metade de janeiro, vinha chovendo muito bem, estava em um cenário fantástico de produtividade e produção. Mas com essa falta de chuva nesses 25 dias, algumas regiões do Estado estão sofrendo razoavelmente bem — pontuou Nei César Mânica, presidente da Expodireto Cotrijal.
Na ocasião, também foi defendido o alongamento da dívida "com juros compatíveis". A reivindicação, de acordo com Mânica, é de que se crie um fundo nacional em que toda a cadeia produtiva participe.
A feira realizada em Não-Me-Toque chega à 26ª edição e ocorre de 9 a 13 de março. E, apesar do cenário de preocupação que se desenha nas lavouras, o presidente da Expodireto Cotrijal quer levar otimismo ao produtor durante este período:
— A feira tem um objetivo único: de trazer inovação e tecnologia — acrescentou Mânica.
Sobre a feira
- Mais de 550 expositores estão confirmados até o momento, incluindo mais de 200 agroindústrias no Pavilhão da Agricultura Familiar, e mais de 80 países.
- O tema deste ano é "O movimento de quem acredita no campo".
- A programação oficial terá fóruns, debates e encontros voltados aos diferentes públicos do agronegócio. O parque da feira vai dispor de áreas de produção vegetal, produção animal, agricultura familiar, máquinas e equipamentos, além do Pavilhão Internacional, Espaço da Natureza e Arena Agrodigital.



