
Perto do prazo final para a contratação do Programa de Liquidação de Dívidas Rurais do BNDES, na próxima terça-feira (10), um balanço feito pela instituição mostra que, dos R$ 12 bilhões anunciados, R$ 7,2 bilhões haviam sido aprovados. A cifra considera o aval dado até a última quarta-feira (04). Desse montante, R$ 6,6 bilhões foram para contratos de produtores do Rio Grande do Sul.
O percentual elevado de aprovação a agricultores gaúchos não surpreende, visto que a demanda mapeada para o Estado, após sucessivas quebras de safra é bem superior. Dado da Federação da Agricultura do Estado apresentado no início do ano, apontou, entre julho de 2024 e novembro de 2025, uma soma de R$ 123 bilhões em dívidas ( crédito estressado, ou seja, pagamentos em atraso, em inadimplência, prorrogados ou renegociados).
— Demanda para R$ 12 bi tem de sobra. Vimos as dificuldades da medida, falamos para o governo — observa Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul sobre gargalos apontados para o acesso.
Uma evidência vem dos dados divulgados pelo Banco Central dos valores liberados para a linha de renegociação a juros livres. Até 23 de janeiro, R$ 30,8 bilhões tinham sido emprestados nessa categoria. Na mesma data, as aprovações na linha do BNDES, com juro subsidiado, somavam R$ 6,3 bilhões.
— Não foi usado todo o recurso (R$ 12 bi) mas também não foi resolvido todo o problema. E não adianta só prorrogar, precisa fazer mudanças que deem acesso — completa Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
Outro caminho que segue, de forma simultânea, no horizonte das entidades é o avanço do projeto de lei 5.122, aprovado na Câmara e que será apreciado no Senado. O texto propõe o uso de recursos do Fundo Social para a solução do passivo no crédito rural.

