
A onda de calor faz os animais entrarem no modo "economia de energia", trazendo reflexos também para a pecuária. Na produção de leite, as elevadas temperaturas podem levar a uma redução média de 5% a 10% no volume. Outros impactos aparecem no ciclo reprodutivo e no ganho de peso, situação que se replica na atividade de corte.
— A queda de produtividade (nos dias de calor extremo) é nítida. Os animais reduzem a ingestão de alimentos, com diminuição de produtividade e impacto também sobre a reprodução — observa Marcos Tang, presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês (Gadolando) e da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac).
Raças europeias, como a holandesa, têm entre uma zona de conforto térmico que varia entre 5ºC e 22ºC. Acima disso, já começa a entrar em estresse térmico.
— Para o produtor de leite, essa é a pior época do ano — diz Tang.
É uma referência à combinação de fatores que costumam acontecer no verão: há uma diminuição do consumo, a remuneração cai, há maior estresse térmico dos animais e mais despesas.
Coordenador da Comissão de Pecuária da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), José Fernando Piva Lobato reforça que, no gado de corte, as perdas reprodutivas podem ocorrer em razão do calor extremo — as raças taurinas têm o conforto térmico entre -1,9ºC e 21ºC. Há igualmente redução na alimentação, o que, como efeito cascata, interfere na taxa de ganho de peso:
— É importante o produtor se planejar para essas oscilações (de temperatura) que se repetem.
Há mecanismos capazes de atenuar os efeitos das temperaturas elevadas. Modificar os horários em que o gado é colocado no pasto para se alimentar para aqueles de sol mais ameno (cedo pela manhã ou de noite) é uma opção. Ter áreas de sombra para o descanso dos animais, também.
Em sistemas de confinamento, há mecanismos que ajudam a refrescar, explica a superintendente técnica substituta da Gadolando, Maíza Scheleski. É o caso da chamada ventilação cruzada, do uso de ventiladores e de aspersão (água pulverizada sobre os animais).
Nos aviários, os ventiladores estão igualmente presentes. Estruturas mais modernas, com controles automatizados (com as dark houses) são usadas em torno de 30% das unidades — exigem um investimento elevado.
— As aves sentem o calor, não se alimentam bem e isso influencia na conversão alimentar, levando à diminuição de peso — explica José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
O dirigente acrescenta que a situação exige cuidados e atenção dos produtores:
— Torcemos para que (a onda de calor) não se prolongue por muito tempo.



