
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Quando o agricultor Nestor Sebastião Dörr olhou para a balança, não acreditou. Havia acabado de colher um repolho de quase 4 quilos na sua propriedade, localizada no interior de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo. O peso, confirma o gerente técnico estadual da Emater, Luís Bohn, é "bem acima da média". O tamanho de uma hortaliça comercial gira em torno de 1,6 quilos.
Para Nestor, o resultado tem relação direta com a irrigação, que adotou neste ano na sua lavoura de hortaliças:
— Se não tivesse irrigação, não ia ter nem repolho, de nenhum quilo. Nada.
O sistema foi instalado em novembro de 2025, com um Carretel Irrigat. Antes disso, a produção dependia exclusivamente da chuva. No ano passado, por exemplo, não houve colheita.
Sem irrigação, Dörr conseguia manter apenas pequenas quantidades de alface e temperos. Em alguns períodos, chegou a ficar até 30 dias sem produção.
A irrigação permitiu não só ampliar a área cultivada, como manter a diversidade ao longo do ano. Hoje, ele colhe cerca de 300 repolhos por semana e planeja irrigar até dois hectares nas próximas safras.
Segundo Bohn, da Emater, a irrigação é praticamente indispensável para o cultivo de repolho fora de regiões mais úmidas, como o Litoral Norte e áreas de encosta. Ele acrescenta que a escolha de variedades mais resistentes ao calor, o capricho no manejo e um verão que, até agora, não impôs estresses climáticos extremos também contribuíram para o bom desempenho.
— É um cenário que favorece não só o repolho, mas também alface, rúcula, radite. Devemos ter boa oferta de hortaliças neste ano — adianta o gerente técnico.




