
Com as lavouras ainda em desenvolvimento, definir o tamanho exato do estrago causado pelo tempo seco no todo da produção de soja do Estado seria impreciso. Primeiro, porque se as precipitações vierem, podem estancar os danos. Segundo, porque a irregularidade na distribuição da chuva determina também diferenças nos resultados. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja do RS, Ireneu Orth, o que já se pode afirma é:
— A previsão de chegar a 21 milhões de toneladas não se concretiza mais.
Ou seja, neste momento, as perdas são em relação ao que se estimava no início do ciclo. A Emater projetava uma colheita de 21,44 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no mais recente levantamento, apontou 21,39 milhões de toneladas. Orth entende que alcançar a faixa de 18 milhões de toneladas já será um bom resultado.
Em 2025, quando a estiagem determinou perdas na colheita, o volume da safra somou 13,64 milhões de toneladas.
Apesar de haver relatos de impactos de 10% a mais de 70% neste momento no Estado, esse número reflete a expectativa inicial. E há regiões onde a chuva tem caído, e os resultados devem ser satisfatórios.
— A chuva tem de estabilizar pelo menos até o final de março início de abril — reforça o presidente da Aprosoja-RS.
Diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera descreve a situação da chuva no Estado como um mosaico. Há pontos onde houve precipitação e, outros, não. Com mais de 80% das áreas de soja nas etapas de floração e enchimento de grãos, a chuva ainda tem um papel importante:
— É necessário disponibilidade hídrica, o chover faz alcançar o fluxo hídrico para a planta conseguir apresentar o potencial produtivo que ainda resta.



