
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Com a soja entrando na reta final de plantio no Rio Grande do Sul — 98% dos 6,7 milhões de hectares já semeados e lavouras com bom desenvolvimento, segundo a Emater —, o avanço da principal matéria-prima do biodiesel começa a desenhar o que esperar do mercado de combustíveis em 2026. A mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, que abastece caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, deve ganhar novo fôlego neste ano, com o Sul voltando a assumir papel de motor desse crescimento. Projeções da StoneX indicam que a região estará entre as que mais puxarão a demanda pelo diesel B, impulsionada pela recuperação da produção de soja no Estado após a forte quebra registrada na safra passada.
A consultoria estima que o consumo nacional do combustível chegue a 70,4 milhões de metros cúbicos em 2026, alta de 1,9% em relação ao ano anterior. Só no Sul, o avanço projetado supera 400 mil metros cúbicos, movimento diretamente ligado à retomada da produtividade das lavouras e do transporte de grãos.
— O desempenho do diesel B tem sido muito forte. É o combustível que chega ao consumidor final e vai direto para os caminhões que escoam a produção —explica Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado.
Segundo ele, volumes recordes de consumo do diesel já puxam, naturalmente, a demanda por biodiesel.
A engrenagem ganhou ainda mais força com o aumento da mistura obrigatória. Em 2024, o país iniciou o ano com B14 (mistura de 14% de biodiesel no diesel comum), avançou para B15 (mistura de 15% de biodiesel no diesel comum) em agosto e manteve a mistura mais elevada por cinco meses.
— Foi um ano de mistura recorde, apesar dos atrasos. Isso muda completamente a base de comparação e projeta um crescimento próximo de 9% no consumo de biodiesel — afirma Rossetti.
No Sul, esse movimento se reflete diretamente na indústria. O Brasil registrou em 2025 um esmagamento recorde de soja, com ampliações de capacidade já em operação e novos investimentos previstos para os próximos anos. Ao mesmo tempo, a exportação de óleo perdeu espaço para atender o mercado doméstico.
— Hoje, temos gordura para queimar. O óleo que antes era exportado está ficando no país para atender o biodiesel — diz Rossetti.
Para 2026, a StoneX projeta crescimento de 6,4% na produção de biodiesel, alcançando cerca de 6 milhões de metros cúbicos — novo recorde histórico. A mistura deve permanecer em 15%, já que o governo sinaliza cautela com novos aumentos, diante do impacto inflacionário ao consumidor final.






