
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A vindima ainda nem engrenou de vez na Serra Gaúcha, mas o clima entre os parreirais já é de brinde antecipado. Assim como no restante do Estado, a cooperativa vinícola Aurora projeta uma safra cheia de uvas em 2026. A estimativa é colher 85 milhões de quilos, volume 18,7% superior ao registrado no ano passado. Para uma empresa que responde historicamente por 10% a 15% da produção brasileira, o número ajuda a dar a dimensão do clima de celebração.
E o otimismo não vem só da quantidade. Vem, sobretudo, da qualidade e de uma estratégia que foi, como brincam nos bastidores da cooperativa, “caso pensado e plantado”. Nos últimos anos, a Aurora vem estimulando a ampliação do cultivo de uvas destinadas à produção de espumantes — movimento que agora aparece com clareza na fotografia da safra.
A área plantada com variedades para base espumante cresceu cerca de 12%, com destaque para malvasia aromática e uvas da família moscato. O reflexo direto disso é um incremento estimado de 15% no volume dessas variedades em relação à safra anterior. Nada aleatório: o mercado de espumantes segue em expansão no Brasil, e a Aurora ocupa hoje a segunda posição em vendas no país, atrás apenas da Salton.
No campo, o cenário ajuda. As condições climáticas foram generosas em praticamente todos os ciclos da videira. O inverno entregou o frio necessário; a brotação veio uniforme; e os vinhedos apresentam ótima sanidade, tanto nas variedades viníferas quanto nas americanas e híbridas, usadas para sucos e vinhos de mesa.






