
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Depois de atravessar enchentes, um foco de Newcastle, outro de gripe aviária e portas fechadas no comércio internacional, a avicultura gaúcha volta a olhar para 2026 com otimismo. A projeção da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), divulgada nesta sexta-feira (16), é de crescimento de 3% a 4% nas exportações de carne de frango e de 10% a 20% nas de ovos.
— Isso se a China deixar, ou seja, retirar de vez o embargo sanitário ao Rio Grande do Sul — pondera José Eduardo dos Santos, presidente da entidade.
Os números de 2025 ajudam a explicar o tom cauteloso, mas confiante, para o próximo ciclo. Apesar do registro de gripe aviária em Montenegro, o setor fechou o ano com queda de apenas 0,77% no volume exportado e 1,35% na receita, desempenho melhor do que se esperava.
— Isso mostra a robustez do sistema sanitário e da resposta rápida do setor — reforçou Nestor Freiberger, presidente do Conselho Diretivo da Asgav.
O caso foi encerrado em pouco mais de 30 dias, permitindo a retomada de mercados e evitando um impacto mais severo nas exportações. O contraste com 2024, quando o foco de Newcastle em Anta Gorda durou 90 dias e segue sendo motivo de frustração — especialmente pela manutenção do embargo chinês ao mercado gaúcho.
— Tecnicamente, sanitariamente, está tudo superado. O que falta é gestão e diplomacia do governo federal para resolver a situação — criticou Freiberger.
A China representa hoje cerca de 6% das exportações gaúchas de carne de frango, mas seu peso vai além do número. É um mercado estratégico, de contratos de longo prazo, maior rentabilidade, especialmente para itens como pé de frango, esclareceram ainda os dirigentes.
Uma missão chinesa esteve no Estado em setembro do ano passado e, meses depois, foi reconhecido o status de zona livre de gripe aviária. No entato, o caso de Newcastle continua "ativo" para o gigante asiático — apesar do reconhecimento internacional dizer o contrário.
Ovos ganham protagonismo
Se no frango a expectativa é de avanço mais contido, entre 3% e 4% em 2026, o setor de ovos aparece como a grande aposta. A projeção é de crescimento entre 10% e 20% nas exportações, puxado pela ampliação de mercados e pela demanda por ovos líquidos e em pó.
— A exportação de ovos ainda tem muito espaço para crescer. O frango já é um mercado maduro; o ovo está em expansão — explicou Freiberger.
Em 2025, o Rio Grande do Sul produziu cerca de 3,4 bilhões de ovos e exportou 6,2 mil toneladas. Apesar da queda de quase 4% no volume embarcado, o faturamento subiu 39%, efeito direto da valorização do produto no mercado global após a crise sanitária nos Estados Unidos.




