
A retomada das importações de carne de frango do Rio Grande do Sul pela China põe fim a uma ausência de um ano e meio. Com o país asiático na lista de destinos, a projeção de crescimento de até 4% dos embarques gaúchos da proteína em 2026 se torna uma realidade possível. E reforça o cenário nacional de retomada.
— Hoje é um grande dia para o setor, recuperamos um mercado que é estratégico — afirma José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
A relevância desse mercado vem da representatividade — em torno de 6% dos embarques feitos pelo RS — e da rentabilidade gerada com a venda de cortes singulares, como pés e meio da asa.
— A China dá rentabilidade para as empresas, para a cadeia, vai melhorar o perfil da economia gaúcha — explica Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Para o Brasil, as portas à carne de frango haviam sido reabertas em novembro de 2025, quando foi derrubada a restrição adotada após o registro de gripe aviária, em maio do ano passado. Para o Estado, no entanto, permanecia vigente uma suspensão anterior, de julho de 2024, mês em que houve um caso da doença de Newcastle. Embora o episódio estivesse há muito resolvido, e o status sanitário retomado, a barreira ainda não tinha sido derrubada.
Sem razão técnica para a manutenção do embargo temporário, o Brasil e o Estado trabalharam para a retomada do mercado, confirmada nesta terça-feira (20) pelo secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua. Mais cedo, a coluna havia antecipado a reabertura comunicada por órgão chineses (o Ministério de Agricultura e a GACC, agência chinesa que faz o controle aduaneiro e de segurança alimentar).
— Recuperamos um mercado que significa quase 6% das nossas exportações. Em 2024, foram quase 40 milhões de quilos exportados para o mercado chinês, e isso traz um alento, uma oxigenação para a nossa economia de todo o setor — reforça o presidente da Asgav.
A retomada efetiva dos embarques depende agora de mera burocracia e é considerada pela indústria uma questão de "poucos dias". O RS tem oito de 21 frigoríficos de frango habilitados à exportação para a China. O Brasil, 56 de 137.




