
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A safra de uva deste ano chega à colheita com dois brindes para o setor: volume generoso e frutas mais doces. A confirmação veio nesta terça-feira (20), em Flores da Cunha, na Serra, durante a 1ª Abertura Nacional da Vindima, evento que marcou não apenas o início oficial da colheita, mas também um capítulo simbólico para a vitivinicultura brasileira.
O cenário escolhido reforçou o peso histórico do momento. A cerimônia ocorreu na antiga Granja União, área onde, em 1927, alguns dos primeiros vinhedos do país começaram a tomar forma e que hoje abriga a vinícola Luiz Argenta. Foi também a primeira vez que o Rio Grande do Sul celebrou oficialmente a vindima a nível nacional.
Os números ajudam a dimensionar a safra. Segundo o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Daniel Panizzi, a expectativa é colher cerca de 950 milhões de quilos de uva. Desse total, aproximadamente 800 milhões devem seguir para o processamento industrial, enquanto outros 150 milhões de quilos serão destinados ao consumo in natura.
Panizzi lembra que, desde 2020, o setor vem colhendo safras de elevada qualidade, ainda que nem sempre volumosas. Neste ano, porém, quantidade e qualidade caminham juntas, resultado direto de um ciclo climático favorável.
— Tivemos condições muito positivas desde o início da brotação. A floração, que é um momento delicado da planta, ocorreu com grande intensidade, resultando em muitos cachos por pé. Depois, o volume de chuvas foi o ideal e tivemos muitas horas de frio, garantindo uma boa invernação e vigor para produzir frutos maravilhosos — explicou o dirigente.
Do volume destinado ao processamento, cerca de 50% deverá ir para a produção de suco de uva. Os vinhos de mesa devem absorver 25%, enquanto os outros 25% ficarão com vinhos finos e espumantes.
Em Flores da Cunha, maior produtor de uva do país, a Secretaria Municipal de Agricultura projeta uma colheita de 110 mil toneladas, crescimento estimado entre 5% e 10% em relação ao ano passado. O protagonismo do município não é novidade: desde 1994, a cidade ostenta o título de maior produtora de vinhos do Brasil. Em 2025, foram 184 milhões de litros de vinhos e derivados da uva, com o município concentrando cerca de 22% das vinícolas gaúchas.






