
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Quase sempre coadjuvante no prato, o chuchu agora tem chamado a atenção — mas pelo preço. Quem passou pelas bancas e gôndolas nas últimas semanas percebeu: o quilo, que rondava em média os R$ 2 no dia 6 nas Centrais de Abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul (Ceasa/RS), chega a beirar os R$ 5. Um salto de até 150% em sete dias que não surgiu do acaso, mas do clima — e da dependência gaúcha de outras lavouras.
O aumento começou longe daqui. O Sudeste, principal polo produtor de chuchu do país, viveu uma combinação pouco amigável para a cultura. No Espírito Santo, de onde vem cerca de 60% do chuchu comercializado hoje na Ceasa do Rio Grande do Sul, o preço disparou 159,2%. Em São Paulo, a alta chegou a 99,1%. Em Belo Horizonte, o avanço foi ainda mais expressivo: 250,4%.
— Para entender o que acontece aqui, é preciso olhar o Espírito Santo — resume Léo Marques, gerente técnico da Ceasa/RS.
Segundo ele, a produção capixaba, concentrada em regiões serranas como os municípios de Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina e Santa Teresa, sofreu com o excesso de calor, sol intenso e temporais. O resultado foi abortamento de flores e frutos, além de danos diretos causados por vento, chuva forte e até granizo. Menos chuchu colhido lá, menos chuchu chegando aqui — e o preço sobe na mesma proporção.
O impacto é imediato porque o Rio Grande do Sul produz pouco chuchu. Apenas cerca de 25% do volume comercializado nesta época do ano é gaúcho, vindo principalmente do Vale do Caí e da Serra. Diferentemente das folhosas e brássicas — como alface, repolho, couve-flor e brócolis —, o chuchu exige um sistema de cultivo mais específico, demandando investimento e manejo diferenciado, o que afasta muitos horticultores locais.




