
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Apesar de ainda ser novidade para muitos produtores, a carinata começa a dar respostas concretas no campo — e com números que chamam atenção. Em Carazinho, no norte do Estado, um produtor cooperado da Cotrijal colheu 45,3 sacas por hectare, o maior rendimento já registrado no Brasil para a cultura, que lembra a canola e tem se desenhado como uma nova opção na safra de inverno nos últimos anos.
O resultado foi apresentado durante encontro técnico promovido pela Cooperativa Central Gaúcha (CCGL), Rede Técnica Cooperativa (RTC) e Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), em Cruz Alta, que reuniu cooperativas para discutir manejo, mercado e o papel das culturas de inverno como estratégia de diversificação e renda.
O recorde pertence ao produtor Paulo Cesar Muneroli, que apostou na cultura pela primeira vez em uma área de 49,7 hectares, logo na entrada da propriedade. A decisão veio da necessidade de repensar o inverno, contou à coluna:
— A gente vinha cultivando trigo, mas o custo era muito alto. Surgiu a oportunidade da carinata, a cooperativa precisava implantar uma área, conversamos com um agrônomo e resolvemos topar o desafio. Era uma cultura nova, que ninguém conhecia aqui.
O desafio virou referência. A lavoura foi monitorada, registrada e colhida dentro de um projeto piloto da Cotrijal. O grão foi entregue diretamente à indústria Celena Alimentos, com semente fornecida pela Nuseed. O custo de produção ficou em torno de 16 sacas por hectare, bem abaixo do rendimento alcançado.
Para o agrônomo da Cotrijal Rodrigo Silveira, que acompanhou a área, o resultado ajuda a quebrar a desconfiança natural em torno de uma cultura nova:
— Foi a primeira área de carinata implantada na região de Carazinho. O produtor é aberto à tecnologia, já cultivava canola, e a carinata se encaixa muito bem no inverno. É uma oleaginosa rústica, com o dobro de massa verde, que deixa mais palha e melhora a cobertura do solo.
Além do desempenho agronômico, a cultura chega conectada a um mercado vantajoso: o óleo é destinado à produção de combustível sustentável de aviação (SAF), com exportação para a Europa, especialmente França, atendendo exigências ambientais cada vez mais rígidas.






