
Em um novo levantamento sobre as dívidas de produtores, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) aponta uma cifra e um percentual que preocupam. De julho de 2024 a novembro de 2025, a carteira estressada do crédito rural aumentou 71%, passando de R$ 72,2 bilhões para R$ 123,6 bilhões no Brasil. Entram nessa relação pagamentos em atraso, em inadimplência, prorrogados ou renegociados.
— Dois terços dessa alta foram de abril a novembro do ano passado, quando tivemos uma safra histórica no Brasil. Então, não é tamanho de safra que determina uma situação dessas — avalia Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.
Em novembro de 2025, a carteira ativa de crédito rural somava R$ 812,7 bilhões. A quantia "estressada" representa 15% desse total. Os problemas climáticos enfrentados em sequência no Rio Grande do Sul ampliaram as dificuldades para os produtores gaúchos mas os dados mostram, segundo o economista, que a origem do problema é outra:
— A causa principal são os juros, porque nenhuma economia é construída para funcionar com uma taxa básica de 15%. Na agricultura, não temos margem de 15%. Um produtor bom, em um ano normal, terá 5%, 6% de margem líquida do negócio.
No levantamento, também é feita uma análise dos recursos tomados a partir da renegociação operada via linha BNDES. Foram 36,2 mil contratos, totalizando R$ 28,2 bilhões. Desse total R$ 5,4 bilhões (ou seja, 19%) foram pelo crédito que tem juro diferenciado, com aporte de recursos públicos. A maior parte, R$ 22,8 bilhões (ou 81%) foram com recursos livres a juros de mercado.
— Em 2026, ainda que tenhamos um ciclo de redução da taxa Selic, que é a nossa perspectiva, terminar o ano na casa de 12%, não vai ser em um dia. será ao longo de um ano inteiro. E, mesmo assim, continua sendo uma taxa muito alta, o que deve trazer um agravamento adicional a essa situação que estamos enfrentando, o que já é bastante preocupante — resume da Luz.
A Farsul voltou defender o avanço do Projeto de Lei 5.122, que tramita no Congresso e que propõe o uso de recursos do Fundo Social para fazer frente ao endividamento.



