A perspectiva de uma boa safra brasileira, depois de anos com problemas climáticos, promete suavizar o cafezinho nosso de cada dia em 2026. O ano passado ficou marcado pela alta expressiva nos valores: dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) mostram que o preço médio do quilo do produto tradicional, torrado ou moído, subiu quase 80%.
— As projeções mais recentes apontam que é possível termos algum recuo de preços de bolsa no café verde este ano, principalmente se a safra brasileira e outras grandes origens forem mais volumosas e estáveis, aumentando a oferta mundial — afirma Celírio Inácio, diretor-executivo da Abic.
Perspectiva que não significa diretamente preços baixos no produto oferecido às indústrias. O executivo pondera que os valores ainda devem continuar em patamares historicamente altos comparados aos níveis de 2024/2025, em razão de estoques apertados e da volatilidade no comércio internacional.
Ou seja, de um lado, as projeções de safras maiores no Brasil e no Vietnã trazem a possibilidade de um aumento na oferta global, com estoques ainda baixos após várias safras afetadas por condições climáticas adversas. Por outro, a demanda firme pelo produto que vem da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos mantem "uma certa pressão sobre os preços", acrescenta Inácio.
A safra brasileira 2025/2026 foi estimada, no último boletim disponível pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 56,53 mil sacas, volume 4,3% maior do que o do ciclo anterior. Condições climáticas recentes, como chuva mais regular nas principais regiões, têm melhorado perspectivas de floração e produtividade para este ano.
Efeito tarifaço
Maior consumidor de café e tendo o Brasil como o principal fornecedor, os Estados Unidos anunciaram no ano passado uma sobretaxa de 50% para o produto brasileiro. A medida, revogada em novembro, causou impacto significativo às exportações do Brasil, com meses registrando redução de quase 50%.




