
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Depois de colocar vinhos e espumantes brasileiros no mapa das grandes premiações internacionais, o setor da uva agora quer fazer o mesmo com o seu suco. O Brasil se prepara para receber o primeiro concurso da bebida — uma iniciativa que mira conhecimento técnico e reconhecimento para um produto no qual o país já é um dos principais produtores e exportadores do mundo.
A iniciativa partiu da Associação Brasileira de Enologia (ABE), que decidiu aplicar ao suco a mesma lógica que ajudou a elevar o status dos vinhos nacionais: avaliação técnica, degustação às cegas e critérios bem definidos. A diferença é que, agora, o terreno é praticamente virgem. Trata-se de um concurso inédito no Brasil e, talvez, no mundo.
— É uma oportunidade de valorizar a produção de suco de uva e divulgar o Brasil como referência nesse segmento — resume Fernanda Spinelli, engenheira de alimentos, delegada científica na Comissão de Enologia da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e integrante da ABE.
Enólogos e profissionais da saúde irão experimentar os sucos às cegas, observando cor, aromas e sabor. A ficha de avaliação foi construída do zero, ainda que dialogue com parâmetros já consagrados na enologia. Para cada uma das amostras avaliadas, será atribuída um dos três tipos de medalha: diamante, platina e mérito uva.
— Há critérios semelhantes aos da OIV nos aspectos visual, olfativo e gustativo, mas não são iguais — detalha o presidente da ABE, Mario Lucas Ieggli.
As inscrições estão abertas para empresas e produtores com produtos devidamente registrados no Ministério da Agricultura, entre 23 de fevereiro e 13 de março. O concurso ocorre de 9 a 11 de abril, em Bento Gonçalves, na serra gaúcha. A entrega das premiações será no último dia do evento.






