
Com o tempo de forma geral favorável, até o momento, a safra de uva do Rio Grande do Sul, maior produtor nacional da fruta, está em período de colheita. Os trabalhos devem se intensificar entre a segunda segunda quinzena deste mês e a de março. Para falar sobre volume, qualidade e tendências de mercado, a coluna conversou com Luciano Rebelatto, presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis). Confira trechos da entrevista.
O que se espera, em tamanho e qualidade, da safra de uva do RS?
Tivemos um ciclo normal, estamos entrando na Vindima agora com as uvas com muita sanidade, o que nos proporciona esperar uvas de excelente qualidade para, principalmente, fevereiro, que será o auge da colheita. Esperamos uma safra maior do que a de 2025, em torno de 5% a 10%, maior. A expectativa é de 800 milhões de quilos, ou talvez até ultrapasse, frente a 750 milhões de quilos, arredondando, que foi a de 2025.
Qual o perfil ou os perfis na produção do Estado?
O grande volume no Estado da produção, em torno de 85%, é de uvas americanas e híbridas, ou as ditas comuns, direcionadas para o vinho de mesa e suco. Ainda o grande volume de uvas é processado e transformado em suco. Desse perfil de uva, temos um mercado se mostrando muito mais adepto aos vinhos brancos, leves, com um teor de doce. Uns vinhos mais fáceis para serem consumidos. O novo consumidor está se mostrando adepto a esse tipo de produto: menos alcoólico, mais leve, mais fácil de beber e com uma tendência para as bebidas brancas. Estão caindo no gosto os vinhos brancos, adocicados, leves, fáceis de beber e os espumantes.
As versões zero álcool ou desalcoolizadas também têm ganhado espaço...
É uma tendência mundial, a percebemos em países europeus também, a tendência de redução de consumo de bebidas alcoólicas. O Brasil também está dentro desse índice, desse novo consumidor. Os produtos desalcoolizados estão entrando no mercado, ainda com números não tão significativos, mas caindo no gosto do consumidor. Está entrando no mercado também suco de uva sem açúcar, para pessoas restrições do consumo de açúcar, Temos percebido que o consumidor tradicional, aquele do vinho tinto, mais encorpado, mais elaborado, ele permanece. O que está crescendo são novos consumidores e esses novos que estão entrando no mundo do vinho por essa porta, pelos produtos desalcoolizados e mais leves, mais fáceis de ser consumidos e até com teor de açúcar maior.
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