
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O setor brasileiro de carne bovina colocou à mesa do governo federal uma nova carta para tentar amenizar os efeitos da salvaguarda chinesa. É a possibilidade de replicar o modelo da cota Hilton. O mecanismo, adotado pela União Europeia, distribui o volume total de exportações de forma proporcional ao desempenho das empresas no ano anterior. E agora a indústria solicita que o Planalto defenda perante os chineses a medida.
Criada para regular a entrada de carne bovina desossada de alta qualidade — com cortes nobres como filé mignon e contrafilé —, esse acordo comercial vigente entre os europeus virou referência internacional.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) defende que a distribuição da cota chinesa siga os moldes da Hilton, respeitando a participação de mercado de cada empresa no ano anterior. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que levou as preocupações ao governo federal e que o setor seguirá a decisão que vier do Executivo.
A ofensiva chinesa
A China iniciou uma investigação sobre o aumento expressivo das importações de carne bovina entre 2019 e 2024. Neste período, a fatia de carne bovina importada no mercado chinês passou de 20% para quase 30%.
Em 31 de dezembro de 2025, o gigante asiático anunciou a salvaguarda, com o intuito de proteger a produção local. A medida estabelece cotas e uma sobretaxa de 55% à tarifa habitual, de 12%, quando os volumes ultrapassarem os valores determinados. Para o Brasil, a cota foi fixada em 1,1 milhão de toneladas.
A salvaguarda já está em vigor e segue até 2028, com aumento gradual desse volume a partir do qual incide a tarifa extra.
O movimento de Pequim acendeu o sinal amarelo entre indústrias e produtores de diversos países. O temor é de um período prolongado de instabilidade, com oscilações de preços e interrupções no ritmo de compras de bovinos, capazes de desorganizar a cadeia produtiva.



