
A menos de um mês do fim do prazo para acessar o Programa de Liquidação de Dívidas Rurais, metade dos R$ 12 bilhões disponibilizados foi acessada, conforme dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). O acesso à linha criada para amortizar o passivo de produtores após perdas climáticas segue sendo motivo de preocupação. Mesmo com a alteração recente, que incluiu financiamentos da safra 2024/2025 entre os elegíveis à renegociação, outras exigências sã apontadas como entrave.
— Precisa mexer em regras, senão muitos (agricultores) não vão pegar esses recursos. As decisões vieram tarde. Muitos produtores já trocaram essas dívidas por outras para poder plantar. Acabaram fazendo a renegociação com a linha a juro livre — afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
A entidade cumpre agenda nesta terça (20) e quarta-feira (21) em Brasília para tratar do tema e de outras questões relacionadas ao setor, como a crise do leite. Na última semana, integrantes do BNDES estiveram em Porto Alegre onde se reuniram com representantes da Fetag-RS. Também estiveram na Federação da Agricultura do Estado (Farsul), onde o economista-chefe, Antônio da Luz, explicou o momento do produtor gaúcho, o endividamento e as ações e propostas da entidade para a solução do problema.
A decisão de incluir os financiamentos da safra 24/25 na lista de acesso à linha do BNDES foi concretizada em dezembro, mas a circular do banco, necessária para a operação, saiu apenas no último dia 13.
Balanço feito em dezembro indicava que R$ 5,2 bilhões haviam sido aprovados, a maior parte, 92%, para produtores do Rio Grande do Sul _ o programa vale para agricultores de todo o país.
De lá para cá, a cifra não subiu muito chegando aos cerca de R$ 6 bilhões. Desse montante, 63% são para linhas do Pronaf/Pronamp e o restante, para os demais programas do agro do governo federal.
As entidades do Estado seguem defendendo o avanço no Congresso do Projeto de Lei 5.122, que propõe o uso dos recursos do Fundosocial para uma solução mais abrangente ao endividamento rural de agricultores gaúchos. O passivo foi acumulado na sequência de problemas climáticos registrados no RS nas últimas quatro safras.






