
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Depois de dois anos andando para trás, a indústria de máquinas agrícolas voltou a acelerar em 2025 no Brasil. O setor cresceu 7,4% no faturamento e alcançou R$ 66,7 bilhões, encerrando uma sequência de quedas que havia derrubado as receitas em 21% em 2023 e mais 19% em 2024.
Agora, em 2026, pode ser a vez do Rio Grande do Sul: com expectativa de safra cheia neste verão e demanda represada, o Estado espera começar a trilhar um período de recuperação nas vendas. Os dados e as projeções foram apresentados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e pelo Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Estado (Simers) nesta quarta-feira (28).
No Brasil, a virada de 2025 foi impulsionada pelo desempenho das lavouras. A combinação de uma safra robusta de grãos com melhor renda ao produtor devolveu fôlego à indústria.
— Nós vínhamos de preços ruins (pagos ao produtor) e de um quadro climático problemático, o que impactou negativamente os investimentos. Em 2025, o cenário foi diferente — resumiu a diretora-executiva de Economia, Estatística e Competitividade da Abimaq, Maria Cristina Zanella.
Para 2026, o setor projeta continuidade. O planejamento estratégico da indústria, construído a partir de consultas aos fabricantes associados à Abimaq, indica crescimento de 3,4% no faturamento das vendas de máquinas agrícolas. Um avanço mais moderado, explicado por um câmbio menos favorável e pela manutenção dos juros em patamar elevado, mas ainda sustentado pela perspectiva de mais uma safra cheia.
No Rio Grande do Sul, a expectativa é de que o que ocorreu em 2025 no resto do país comece agora. Após quebras produção, juros elevados, endividamento acumulado e risco climático, a vice-presidente do Simers, Carolina Rossato, projeta para 2026 uma "excelente safra de grãos no Estado", o que pode destravar a demanda represada dos últimos três anos de máquinário.
— O mercado volta a girar a partir de março. A Expodireto será o primeiro grande termômetro do ano para o agronegócio — acrescenta ainda a dirigente.
O Estado, vale lembrar, concentra cerca de 60% do parque industrial de máquinas agrícolas do país e abriga uma das maiores cadeias de fornecedores do setor.




