
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Degustar azeite fresco, caminhar entre oliveiras e conhecer como nasce um dos produtos mais valorizados da gastronomia. Essa é a experiência que o setor brasileiro quer transformar em produto turístico. E um passo importante nessa direção foi dado em Bagé, na Campanha, onde o 1º Simpósio Nacional de Olivoturismo reuniu 50 produtores brasileiros e outros 30 uruguaios. O encontro buscou discutir, entre outros assuntos, como transformar a cultura das oliveiras em renda extra para o produtor rural — e em uma nova rota de viagens para um público urbano cada vez mais interessado em vivências autênticas no campo.
Depois de dois dias de debates, foi decidida a construção de um projeto nacional de olivoturismo, capaz de organizar rotas, integrar experiências regionais e apresentar o setor ao mercado de viagens. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) agora montará um projeto nacional de turismo voltado à olivicultura, envolvendo agências de viagem, o Ministério do Turismo e a Secretaria de Turismo do RS. A ideia é mapear o que o país já tem de estrutura, o que falta e o que o turista busca.
Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o Brasil — e em especial o Rio Grande do Sul — já tem locais preparados para receber turistas de todas as partes. A Mantiqueira, por exemplo, chega a receber mil visitantes por dia em plena safra. Outras cidades também começam a se destacar, como Gramado, Viamão, São José dos Campos e propriedades no sul de Minas Gerais.
— As pessoas querem viver a experiência: degustar azeite, contemplar os olivais, entender como funciona o pomar. Mas precisamos organizar isso. O turismo do azeite tem que ser apresentado como um produto, um pacote — explica Obino Filho.
Para o dirigente, não basta também só abrir as porteiras: é preciso agregar outros sabores e locais regionais, como queijo, vinho, carne, hospedagem rural e trilhas ecológicas.
— O turista busca caminhos curtos, bem definidos. Já falamos muito na “rota das oliveiras”, mas ela é longa demais. Agora queremos pensar em rotas menores, integradas, com experiências complementares — acrescenta.
O simpósio também marcou o anúncio de uma parceria de pesquisa com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. O aporte financeiro será usado para ações de promoção, criação de acervos, estudo da saudabilidade do azeite, uso cosmético e fortalecimento de experiências turísticas nos dois países.


