
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A colheita da safra de inverno, que tem como carro-chefe a cultura do trigo, entra, nesta semana, na reta final no Rio Grande do Sul. Conforme o último informativo conjuntural da Emater, 93% dos 1,14 milhão de hectares semeados com o cereal foram colhidos até o momento. Nos números e nas lavouras, trata-se de uma boa safra, ainda que distante de um ano excepcional — não pela produtividade, nem necessariamente pela qualidade, mas pelo preço. A projeção da Emater é de uma colheita cheia, de 3,7 milhões de toneladas — mesmo volume da safra anterior.
Assistente técnico em culturas na Emater, Alencar Rugeri resume o quadro: há regiões com "desempenho muito bom", especialmente no Nordeste do Estado, que novamente confirmou o potencial produtivo favorecido por condição climática mais estável. Em outras áreas, como Pelotas e Bagé, as dificuldades climáticas limitaram parte dos ganhos. A qualidade do grão também variou conforme a região, mas, no conjunto, permanece “boa”.
O problema central está no mercado, continua o técnico:
— Os preços deixam a desejar. Em um cenário que remunerasse melhor, talvez houvesse, inclusive, mais mídia e entusiasmo com relação a esta safra.
O diagnóstico também é de Hamilton Jardim, coordenador da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). A estimativa é de uma safra “boa”, mesmo com os problemas iniciais de implantação. Mas a satisfação termina aí.
— Estamos colhendo uma safra boa, mas frustrante para o produtor — resume o dirigente, referindo-se à cotação em queda do cereal que, muitas vezes, não tem coberto nem o custo de produção que o produtor teve para implantar a lavoura.
A Farsul tem alertado o governo federal sobre esta crise, que tem a ver com o excesso de oferta do cereal no mercado interno e externo. Entre as medidas reivindicadas pelo setor, está a do uso de políticas de garantia de preços mínimos e de escoamento da produção, via Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), operados pela Conab. Até agora, porém, “não saíram os editais”, e mesmo que saiam até o final do ano, o volume previsto não deve atender mais que “5% ou 6% da safra gaúcha”, acresenta Jardim.




