
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A ceia de Natal deve pesar mais no bolso de quem não abre mão de castanhas, nozes e cerejas neste fim de ano. A pesquisa de preços realizada pelo Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada do Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE), da UFRGS, mostra que, apesar de a variação média dos 42 produtos analisados em supermercados de Porto Alegre ter ficado praticamente estável em 2025 — crescimento de apenas 0,20%, muito abaixo dos 6,56% registrados no ano passado —, alguns itens dispararam por fatores diretamente ligados ao campo, dentro e fora do Brasil. A comparação foi feita entre a última semana de novembro e a primeira semana de dezembro de 2024 e aa última semana de novembro e a primeira semana de dezembro de 2025.
Os maiores saltos ocorreram na castanha-do-pará (+40,70%), nas nozes (+31,63%) e na cereja (+22,25%). Já produtos como batata (-35%) e arroz (-30,11%) ficaram mais baratos e ajudaram a segurar o índice geral.
Clima derruba safras e encarece itens
O grande vilão da ceia em 2025 foi o clima. No caso da castanha-do-pará, foi registrada a maior quebra de safra em 20 anos, impactada por eventos climáticos como estiagens na Amazônia. A baixa oferta — redução de mais de 70% na produção — pressionou os preços e ajudou a puxar a alta das oleaginosas.
A situação também se repetiu fora do país. Na Turquia, principal produtora mundial de nozes, geadas primaveris destruíram cerca de 22% da safra. Já no Chile, outro parceiro importante do Brasil, a colheita de nozes traz ainda efeitos da safra de 2024: atrasos e problemas de maturação provocaram queda estimada em 30% da produção na época.
A cereja, outro ingrediente tradicional na mesa natalina, também ficou mais salgada. Além de problemas produtivos no Chile, um carregamento de 1.120 kg precisou ser destruído no aeroporto de Guarulhos após a detecção da praga Brevipalpus chilensis, que ameaça culturas brasileiras como uva, cítricos e kiwi. A medida não impactou o comércio entre os países, segundo autoridades chilenas, mas trouxe mais atenção ao controle sanitário e reforçou a sensibilidade da cadeia.
No caso do arroz e da batata, foram a safra cheia e a baixa demanda que fizeram os preços dos produtos despencar.
As maiores altas e quedas
- Castanha do pará: preço médio do quilo chegou a R$ 162,37, alta de 40,70%
- Nozes: R$ 138,95, alta de 31,63%
- Cereja: R$ 97,58, alta de 22,25%
- Batata: R$ 3,79, queda de 35%
- Arroz: R$ 4,96, queda de 30,11%
- Fio de ovos: R$ 57,65, queda de 24,61%
Fonte: Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada do IEPE da UFRGS





