
Com redução de 29,1% na tomada de crédito e apenas 10,68% da área segurada. Essa é a fotografia atual da agricultura familiar no Rio Grande do Sul, Estado que teve quatro das últimas cinco safras frustradas pelo clima. É o que aponta dado compilado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e apresentado no balanço anual da entidade nesta terça-feira (2).
— Os financiamentos significam, para nós, mais segurança. E isso está refletindo no endividamento (do produtor), e também no seguro — afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS sobre a redução no acesso ao crédito.
A redução de 29,1% apontada refere-se ao número de operações, no período de julho a novembro de 2025, em relação a igual período de 2024, no RS.
— Há um movimento de produtores migrando para o sistema de trocas. O problema é que aí fica sem seguro, sem proteção — pondera Kaliton Prestes, secretário-executivo da entidade.
Mesmo pelo sistema oficial de crédito, chama a atenção o encolhimento da área cultivada que tem a cobertura do seguro rural no RS. Na comparação de 2025 com 2020, o número de apólices contratadas de seguro (considerando Proagro e Programa de Subvenção Rural) teve uma redução de 80%. Passou de 40.717 para 8.152. No atual ciclo, até novembro, apenas 10,68% da área estava segurada no Estado.
— Estamos indo para um caminho muito ruim, temos o problema do endividamento, agricultores diminuindo áreas financiadas, pior do que isso, reduzindo o seguro rural. Quer dizer que o produtor está trabalhando cada vez mais em risco — reforça Joel.
Vice-presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti explica que "há um total desestímulo" ao seguro rural no Brasil.




