
A escassez de recursos e a elevada inadimplência evidenciam uma crise do crédito rural no Brasil. Dados apresentados pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) no balanço da entidade, nesta terça-feira (16) apontam que 130 mil pessoas que tomaram financiamento no Plano Safra 2024/2025 no país não tomarão recursos no ciclo 2025/2026.
Outro indicador que acende o alerta vermelho vem dos índices históricos de inadimplência: 11,4% nas linhas com juro livre e de 2,4% nas com taxa controlada.
— Estamos vivendo uma crise de crédito sem precedentes. E não é gaúcha, é brasileira — ressalta Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.
Na origem da crise estão os juros elevados. Da Luz frisa que a taxa Selic (taxa básica de juro) está correta diante do cenário posto, mas bate de um jeito diferente no agro, setor que precisa de grande alavancagem:
— Como hoje quase 80% do crédito rural é de juro livre, a maior taxa Selic dos últimos 20 anos bate de um jeito diferente.
É por isso que nem mesmo uma safra sem quebra, "sonhada" para 2026 com base nos prognósticos atuais, reverterá o quadro. Um produtor dentro da normalidade (de produtividade), está pagando, para cada R$ 1 de lucro, R$ 2 ou R$ 3 de juro.
— O efeito do juro é quase como o de outra seca — compara.
Menos contratos
Levantamento feito pela Farsul mostra queda de 15% no número de contratos e no valor tomado, no Plano Safra atual, entre julho e outubro no Brasil:
- De julho a outubro do ciclo 2024/2025, foram tomados, em linhas de custeio, R$ 98,93 bilhões no país. Em igual período do ciclo atual, o montante ficou em R$ 84,29 bilhões
- Na mesma comparação, o número de contratos passou de 409,3 mil contratos para 348,3 mil
- No caso do RS, esse percentual de queda fica um pouco maior. Nos valores de custeio, há uma redução de 21%, passando de R$ 15,89 bi para R$ 12,55 bi, de julho a outubro.
- Em número de contratos, a diminuição foi de 18%, passando de 125,71 mil contratos para 103,24 mil
Fonte: Matriz de Dados do Crédito Rural / BCB




